Marrocos – Percepções

               Vou procurar colocar algumas percepções que tive do país Marrocos, do contato com o povo marroqui, da convivência com os amigos. Tudo isso permeado por questões individuais, como sempre, as percepções são exclusivamente pessoais, estão condicionadas e contaminadas pelas expectativas e podem não ser verdadeiras ou corretas.

                Sinto que fomos recebidos em todos os locais que passamos, hotéis, restaurantes, lojas, vendas de rua, postos de combustível, aduanas, barreiras policiais, guias turísticos e mercados, por pessoas com satisfação por servir bem e disposição de receber os turistas.  Estavam sempre de bom humor e procuravam atender as nossas necessidades.

                É um país com uma religião predominantemente Islâmica, procurando conviver com as demais religiões e aos poucos se abrindo a influência dos usos e costumes europeus.  A religião islâmica exige uma forte disciplina, são cinco vezes por dias de oração a Alá, a cada vez um ritual de purificação e limpeza. Não é permitida a ingestão de qualquer bebida alcoólica, em seu lugar bebem chá de menta com erva buena, as vezes chamado de uísque Berbere. Visitamos escolas islâmicas para crianças, elas têm função exclusiva de ensinar o Alcorão (Bíblia Islâmica).  Nas conversas de cunho religioso que tive com os guias, o que pude entender é que Alá (Deus) é visto como um grande Pai, recompensando nossas ações, bem com o bem, mal com o sofrimento. 

                As cidades maiores e mais ao norte, mais próximas da Europa, parecem ser mais liberais em várias coisas: quanto a vestimenta, ao estilo de vida, as construções. Já as menores e mais ao sul são mais tradicionais, por exemplo: víamos 100% das mulheres usando véus e com a cabeça coberta. Parece existir um esforço consciente de incorporar a “modernidade do ocidente” ao dia a dia do país.

                Infelizmente tivemos que revisar os cálculos das contas e o troco em dinheiro, por várias vezes eles comentem erros grosseiros, não sei se é por falta de conhecimento ou por “malandragem”.

                Sempre que falávamos que éramos brasileiros, abria-se um sorriso, tornam-se ainda mais simpáticos e amistosos, isso aumenta a nossa responsabilidade de retribuir o acolhimento e manter a boa reputação dos brasileiros.

                Local que o espírito coletivo é bastante forte, o bem estar individual não é tão importante como o bem comum. Estão transitando de uma estrutura tribal e familiar para uma estrutura de país e individual.  O regime político é uma monarquia democrática, onde existe um rei que representa a estabilidade com algumas atribuições e uma nascente democracia.

                O rei atual se chama Mohamed VI, parece ser bem quisto pelas pessoas. Herdou de seu pai 12 palácios, são como monumentos, apenas para mantê-los é necessário um exercito de trabalhadores, pudemos ver isso quando passamos por Ifrane, era justo o horário de saída dos funcionários, mais parecia o portão de uma grande indústria.

                Não vimos muitas indústrias, porém uma boa agricultura. Um hábito que parece manter-se forte é o prazer pela barganha, eles preferem muito mais uma boa troca (escambo) que a simples venda por dinheiro. Normalmente as lojas não colocam os preços nas mercadorias, você escolhe o que gosta e o que deseja levar, depois, eles dizem qual é o valor. Ai começa a negociação, o valor final pode terminar até com 50% de desconto.

                Como nunca sabemos se o preço inicial é igual para todos, não temos noção se fizemos uma boa compra ou não.  Por um lado, essa forma de valorar as coisas não deixa de estar certa, pois para cada pessoa o objeto tem um valor específico, dependendo do seu poder aquisitivo, do desejo, da utilidade e de outros fatores individuais.

                O ano deles tem menos dias que o nosso (11 dias), nós usamos contar os anos em função do número de dias que a terra demora a dar uma volta em torno do Sol, já no Marrocos é com base na lua, ou seja, são doze fases de lua no ano, o ano tem 12 meses de 29/30 dias. O dia de descanso semanal é na sexta-feira e não no domingo.

                As paisagens tem um grande contraste, em poucos quilômetros vimos bosques de cedros, montanhas nevadas, plantações de oliva, de trigo e diversos grãos, deserto de areia, de pedras, planícies, vales de rios, cadeias de montanhas altas, oásis, montanhas de cores variadas em tons de terracota e alguns rios com bastante água.

                Para nós, que temos uma alimentação a base de vegetais, as opções não são muitas. A comida tem um bom tempero e os principais pratos foram: cuscuz, tajine (cozido de vegetais em um recipiente de barro especial de mesmo nome), harira (sopa de legumes e grãos), uma massa que deixa a desejar e omelete. Já as sobremesas, têm uma boa variedade de doces, tortas e bolinhos, principalmente a base de mel, amêndoas, tâmaras e frutos secos.

                As habitações, principalmente dentro das medinas, no seu exterior são feias e relaxadas, já no seu interior podem ser palácios e bem decoradas. Uma medina é uma área amuralhada e antiga ou seja o centro histórico. Uma tradicional moradia marroqui tem um pátio interno com um jardim e uma fonte onde todos os aposentos abrem para este pátio.

                Vimos diversas farmácias de produtos naturais a base de ervas e mineriais, bem como de cosméticos, setor importante, principalmente a maquiagem, visto que as mulheres mostram apenas o rosto e os olhos.

                Uma dificuldade que tivemos foi com o nome das ruas/locais e a linguagem. Eles falam principalmente árabe, francês e berbere, um pouco de inglês, muito pouco de espanhol e claro, que nada de português. Os endereços são bastante confusos, vários locais tem o mesmo nome, mesmo com GPS foi necessário usar guias para chegarmos aos hotéis.  O idioma berbere é uma linguagem apenas oral, e me disseram que a partir do próximo ano começarão a ensina-la e escrevê-la nas escolas.

Umas das etnias que compõem o povo marroqui, além dos árabes e os berberes, são os tuaregues. Eles são conhecidos como povo azul, isso se deve ao uso de uma túnica cor azul e um unguento que passavam na pele que servia como protetor solar, repelente para insetos, perfume e dava uma cor azulada.

No verão, a temperatura no deserto chega a 50 graus centigrados, e mesmo a noite se mantem na faixa dos 40 graus. Disseram-me que para dormir tem que levantar a cada hora para tomar banho, ou usar um ar-condicionado potente, isso deve custar muito!!  

Encontramos uma baixa umidade do ar o que é ruim, principalmente nas cidades, pois concentra a poluição e claro, nada de chuva.

Várias pessoas tem o nome de Mohamed, pelo que entendi, todo o primogênito da família usa o nome de Mohamed, assim se não souber o nome de uma pessoa, podem chamá-lo de Mohamed que acertou em 50% dos casos.

Para imaginarmos um pouco como é a diversidade da cidade de Tanger, que fica no continente africano, bem na saída do mar mediterrâneo e a apenas as 12 km da Europa, ela já passou por várias ocupações, Fenícia, Cartagena, Romana, Árabe, Português, Espanhol, Inglês, Frances e por fim Marroqui, isso se não esqueci de alguma.

Na internet tem muita coisa interessante para ler, segue um site que contem peculiaridades sobre o Marrocos. http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mulher-culinaria-marroquina/culinaria-marroquina.php

Atualizei a pasta de fotos, agora coloquei além das que tirei, fotos de outras duas câmeras, são visões diferentes das minhas e com uma perspectiva muito interessante. Espero que gostem!!!

 

 

Comentários  

 
0 # RE: Marrocos – Percepções Josiane 15-02-2012 18:49
as fotos estao lindas que saudade me deu
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