Marrocos – Férias Projeto Sabático (parte 2)

Dia 9 - 05/01 – De Euford até Féz - 450 km.

 

Logo após iniciarmos o trajeto havia um bloqueio na pista, uma manifestação de jovens reivindicando alguma coisa. Eu tentei organizar os carros para podermos passar, porém não deu tempo, em poucos minutos, de algumas poucas pessoas sentadas no meio da estrada passaram a centenas. Pareciam calmos, porém impediam a circulação de veículos nos dois sentidos.

Vi um guarda no meio da multidão, aproximei-me e perguntei se não havia outro caminho, ele gentilmente foi me afastando do tumulto e nos orientou seguir um carro, demos uma volta pelo meio de um oásis e em 10 minutos estávamos novamente a caminho. Esse oásis contêm o maior palmeiral de Marrocos, é gigante, são dezenas de quilômetros de área verde.

A estrada de hoje era de pista simples, em bom estado de conservação. Passamos por diversas barreiras policiais, em uma delas, o policial nos parou e perguntou se não vimos a placa para parar, não vimos. Acho que devia estar escrito em árabe!!! Após ver que éramos estrangeiros, nos liberou. Mais uma vez, guardas educados, amistosos e nada de corrupção.  Um local bonito que passamos é a garganta do rio Ziz.

No caminho vimos uma estação de esqui, acho que esse ano não tem neve suficiente para esquiar. A cidade de Ifrane mais parece uma cidade suíça, ruas largas, casas com telhados altos, bosque de árvores e até uma floresta de cedros. Tem até um palácio real e uma pequena fonte cheia de neve na entrada.

Novamente achar o hotel foi uma aventura, desta vez tínhamos a coordenada, mesmo assim não conseguimos. A coordenada era do palácio real, bem que gostaria que estivesse certa! Pedimos para um taxista nos guiar até o hotel, ele nos deixou na porta da Medinda e disse, agora vocês tem que ir a pé. Para onde?! Logo apareceu outro guia, o seguimos por 5 minutos e chegamos. O hotel é bonito, uma Riad, uma casa antiga que contém no seu interior pelo menos 3 coisas, um jardim, uma fonte e um terraço, por fora não se dá nada, porém por dentro é bastante luxuoso.

 

Dia 10 – 06/01  – City-Tour Féz.

 

A decoração do hotel é charmosa, tivemos o café da manhã ao ar livre, estava frio, mas era elegante. O hotel faz parte do muro da Medina, tem uma bela vista do vale. Na visitação a cidade fomos à escola de alcorão, ao túmulo de Mohammed V, quem trouxe o Islamismo para Féz, vimos a entrada da mesquita (só entra mulçumanos), loja de ervas medicinais, lojas de artesanatos, lojas de..., e um curtume artesanal no meio das casas.  Para minha sorte era sexta-feira, isso quer dizer que o comércio fecha às 12hs. A sexta-feira representa o dia de descanso em Marrocos da mesma forma que o domingo representa no Brasil. O guia me disse que como existem praticantes de 3 religiões em Féz, tem descanso na sexta (mulçumanos), sábado (judeus) e domingo (católicos), que beleza!!

Sexta é dia em que o Imã (padre) faz um pequeno sermão. Ficamos na frente da mesquita vendo o movimento, tinham 22 mil pessoas rezando! O guia me disse, que no sermão do dia foi abordando a necessidade de chuva, e que as pessoas não têm sido boas o suficiente, devem melhorar suas ações e esforços para que Alá (Deus) os recompense com chuva.

Após o almoço fomos visitar um antigo palácio real, agora um museu, a entrada do atual palácio real (com belas portas douradas), a tumba do Rei Merinides e uma fábrica de cerâmica.  Lindos mosaicos, uma técnica que eu não conhecia, o rejunte e a cobertura das peças é feita com uma pasta de vidro.

Na Medina de Féz moram cerca 250.000 pessoas, é uma infinidade de casas e casebres, lojas e lojinhas, para ir de um lugar ao outro passamos por ruas, ruelas e túneis, praticamente não existem ruas que passem carros, a largura fica entre 50 centímetros e no máximo 2 metros. A fachada de quase todas as construções por fora é feia, mas por dentro, podem ser verdadeiros palácios.

Para encerrar o dia, na volta ao hotel, comemoramos um aniversário, com direito a bolo, flores, frutas e decoração em escrita em árabe!!! Descobrimos que os marroquinos são bons confeiteiros, havia biscoitos deliciosos.

 

Dia 11 – 07/01 – Féz até Tanger – 350 km.

 

Será nosso último dia em Marrocos, saímos em direção às ruínas da cidade romana de Volubilis. “As ruínas que se vê hoje em dia são dos séculos II e III DC. Estima-se que em seu auge, Volubilis tinha uma população de cerca de 20.000 pessoas. A cidade era o posto mais afastado de Roma e fornecia ao Império olivas e trigo, além de animais selvagens como leões e ursos do Atlas para os jogos nas arenas. Foram tantos animais enviados à Roma, que o urso do Atlas, único urso da África, entrou em extinção.” Fonte: www.foradomapa.dimambro.com.br

A cidade é bastante grande e organizada, ruas largas e boa infraestrutura para a época. O estado atual de conservação deixa a desejar, se quiser pode-se até andar sobre as ruínas.

Após essa visita seguimos inicialmente por um caminho alternativo, acabamos saindo no meio de um zoco, ou seja, uma feira-livre muito grande, não tinha como desviar. A solução foi ir devagar, no meio de centenas de pessoas, motos, burros, sacolas, frutas, carroças, etc. Foi uma diversão.

A estrada seguia em uma área com muitas plantações, um contraste bonito, montanhas secas e desérticas com o verde da agricultura. Seguimos em direção à gruta de Hercules, tem até uma lenda sobre ela que não vou colocar aqui, se alguém tiver interesse, a internet com certeza vai ajudar. Depois tomamos um café da tarde em Cap Spartel, seguimos para o hotel. Dessa vez não quisemos nos aventurar, foi um Ibis mesmo. Mesmo assim, tivemos alguma dificuldade de localizar, não por causa do endereço, mas sim pelo nome, tem mais de um Ibis em Tanger e têm o mesmo nome!!

Tanger me pareceu uma cidade bastante moderna, prédios altos, avenidas, até as pessoas nas ruas parecem se vestir como na Europa, também, estamos apenas a 20 km de distância.  

 

Dia 12 – 08/01 – Tanger/Marrocos até Granada-Sierra Nevada/Espanha- 340 km.

 

Acordamos cedo e seguimos até o ferry, dessa vez a aduana estava livre, não havia despachantes intermediando, foi rápida e fácil à saída do Marrocos. O pouco dinheiro e moedas que sobraram resolvi doar para uma senhora que estava indo para o Marrocos, guardei uma de estimação.

O ferry chegou à Tarifa em menos de uma hora, agora seguimos em uma estrada litorânea, iria passar pela mesma rota que fiz de motor-home sozinho alguns meses atrás. No caminho fui me lembrando das paisagens e sensações.  Paramos para almoçar em Marbella, chega de cuscuz, agora é paella. A região é bonita, talvez até um pouco mais que Alicante, reflito sobre como seria se tivesse escolhido este local para morar!!!

Chegamos a Sierra Nevada a noite, é uma montanha alta, estamos a 2.000 metros do nível do mar, tinha neve bem perto. Escolhemos um hotel de apartamentos, mais uma vez uma confusão, deram um apartamento menor do que havíamos escolhido e não abaixaram o preço. Depois de um desgaste, conseguimos quase 50% de desconto, valeu.  

Acomodamo-nos confortavelmente, o inconveniente era que tínhamos apenas um banheiro para 6 pessoas, não seriam muitos dias que não pudéssemos contornar. Para comemorar a neve e a chegada a Europa, fizemos um belo fondue de queijo e bebemos um vinho Espanhol.  Estávamos em jejum de álcool desde que saímos da Espanha!

 

Dia 13 – 09/01 – Passeio na Alambra de Granada e Sierra Nevada – 70 km.

 

O desnível até Granada é de 1.000 metros, tem dois caminhos, um por uma serra com muitas curvas e paisagens lindas e outro caminho, pitoresco, por uma estrada com mais curvas ainda e mais paisagens lindas.

Visitamos a Alambra de Granada. É um conjunto de palácios, jardins e fortificações que datam da época que os mouros dominavam a Espanha. Depois que foram expulsos, as construções não foram destruídas e os espanhóis continuaram construindo em seu entorno novos palácios. O início da construção se deu por volta do ano 1.200 e encerrou cerca de 500 anos depois. Quem hoje em dia faria isso?! Agora é um local para visitação, muitos turistas.

Será que este deve ser o destino das grandes obras da humanidade? Ou será que deveriam, além de estarem abertas a visitação, serem usadas para algo mais? Neste período que estou conhecendo a Espanha já vi tanta construção bonita apenas servindo de atração turística que não estou seguro, que apenas ser útil a essa função, seja o suficiente.

A área a ser visitada é enorme, tivemos apenas uma tarde, não deu para ver tudo. O melhor é fazer com calma em dois dias. Pena não ter um belo café dentro da Alambra para relaxar por um tempo. Voltamos a Sierra Nevada a noite, vendo um belo nascer de lua cheia.

 

Dia 14 – 10/01 – Passeio nas montanhas nevadas e volta para Alicante – 500 km.

 

Pegamos o teleférico e subimos mais uns 1.000 metros de altura, chegamos ao meio na estação de esqui. Muitas pessoas, aquele colorido lindo, todos se preparando para um dia de esqui. Tive uma boa lembrança de momentos do passado, a sensação de frio, é claro que com uma roupa apropriada, beber chocolate quente, sentir o sol.  Deu uma boa vontade de esquiar, mas não era esse o objetivo, apenas contemplamos a paisagem. Os filhos do casal de amigos tiveram aula de esqui por 2 horas, mal deu para sentir o gosto e descemos a montanha. Ainda tínhamos um bom chão a percorrer.

Iniciamos o caminho de volta à Alicante, fim de férias do período Sabático, continuei seguindo o trajeto feito na viagem pela costa sul/sudeste da Espanha, meu encanto pelas paisagens continua igual, ainda adoro apreciar as mesmas belas vistas.

Chegada em “casa” e retomada da rotina diária, aulas de pintura, desenho, cerâmica,..., reflexões.

Neste período percorri 4.662 km, falei muito português, deu até para esquecer um pouco do espanhol e lembrei como é conviver com mais pessoas.

 

As percepções sobre o Marrocos e a viagem ficarão para o próximo texto.

Comentários  

 
0 # Saludos ClovisJose Alberto Roger Pons 21-01-2012 13:34
Hola Clovis¡¡
Que tal soy Alberto el chico que te acerco el coche a tu casa desde Valencia.
He estado visitando tu pagina y esta muy elaborada hay muchas experiencias.
Me ha resultado difícil encontarte ya que al principio confundía el nombre de tu pagina ya que aunque el portugués y el español hay cosas parecidas la palabra projeto en español lleva una c como proyecto es una curiosidad por si hay mas personas que no han podidio contactar por la misma razon ha visto que has estado en Marruecos espero que hayas tenido una buena estancia
SI quieres ver unas islas presiosas que puedes viajar a las islas baleares hay barcos que salen desde Denia para un finde semana y tienes la oportunidad de conocer una de las bellezas del mar mediterraneo.
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0 # RE: Saludos ClovisClovis Fernando Greca 25-01-2012 15:55
Hola Alberto

Gracias por tu comentario. Es cierto, esta pequeña diferencia entre proyecto sin la "c" puede impedir personas aquí desde España, voy a ver lo que puedo hacer para esto. He intentado escribir en el blog lo que creo que es útil no sólo para mí, sino también a Mis amigos.
Si tengo tiempo, voy a intentar hacer el programa que propone.
Esta semana he ido a visitar la isla de Tabarca aquí en Alicante, dio una muestra de la belleza de las islas del Mediterráneo.

Un abrazo
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