Marrocos – Férias Projeto Sabático

Tivemos a visita de um casal de amigos do Brasil e seus dois filhos. Passamos juntos o Natal, Ano Novo e o período de férias. Visitamos os arredores de Alicante, Valencia, Sevilla, Granada e Sierra Nevada na Espanha, Gibraltar e vários locais no Marrocos. Na primeira parte do texto vou descrever nosso itinerário e no fim minhas percepções tanto do Marrocos com da convivência com os amigos.

Nos primeiros dias utilizamos como base, minha casa em Alicante, visitamos o Castilho de Santa Barbara, a região do porto, o casco antigo, andamos na orla do cabo Huertas, fomos ao Castelo de Guadalest, Cavernas de Canalobre, Fontes de L’Alagar, Altea, Benidorm, Calp, subimos ao Penhasco de Ifach. O natal, passamos na casa dos meus amigos de infância em Valencia, fomos ao teatro ver o musical de Carmem baseado na opera, visitar a Catedral, fomos ao mercado municipal no dia mais cheio do ano e por fim a cidade das Ciências e das Artes. Após tudo isso, o casal e seus filhos foram sozinhos para Barcelona. Necessitávamos de descanso!!!.

Dia 1 - 28/12. Viagem de Alicante até Sevilla – 600 km.

Apenas eu e minha esposa fomos de carro até Sevilla. Resolvi fazer o caminho pelo interior, uma rota diferente daquela que tinha feito de motor home. Um caminho montanhoso e bonito, pudemos até avistar a montanhas nevadas na região de Granada, lugar que mais tarde iriamos ficar. Durante o caminho fui sentindo uma sensação diferente, pude traduzir com sendo a expectativa pela chegada a Sevilla. Resolvi escutar a narrativa do meu texto “Chegando a Sevilla”, fui lembrando-me desse dia e das sensações de ser um peregrino.  Mentalmente comparei os dois momentos, as diferenças e as semelhanças. Em Sevilla procuramos um pequeno hotel perto da Catedral.

Dia 2 – 29/12 – City Tour em Sevilla.

Rever pontos que tinha visitado da vez anterior, a cidade parece que está muito mais cheia de turistas e pessoas locais nas ruas, também com aquele calor de 40 graus era difícil de andar. Iniciamos a visita pela Praça Espanha. Com a nossa adaptação ao estilo de vida espanhol, fizemos um turismo gastronômico.  Começamos com o café da manhã em um bar típico, pessoas comendo no balcão e tomando cortado (café com leite) com croissant. Após o passeio pela praça e uma volta no parque, paramos para o “almoço”, copo de vinho e petiscos. Próximo passo, caminhar um pouco mais para ver lojinhas e aguardar a hora dos restaurantes servirem comida, o “comer”, um belo almoço a estilo espanhol, paella.  Caminhar até a torre del oro a beira do rio Guadalquivir e visitar o bairro de Triana, parar em um bar para tomar café e chá. A noite chega, a cidade começa a ferver, pessoas por todos os lados, agora paramos em uma confeitaria tradicional para comer torta e tomar chocolate quente. Caminhamos pelas ruelas, praças iluminadas e o casco antigo, agora procuramos entre as centenas de bares e restaurantes um lugar aconchegante para tomar um vinho e encerrar o turismo de hoje, queijo de cabra com marmelada, gratinado.

Dia 3 – 30/12 – Visita a catedral de Sevilla e viagem até Algeciras e Gibraltar,  250 km.

Encontramos os amigos na fila de entrada da Catedral, muitos turistas, a temperatura estava na faixa dos 15 graus, um friozinho. Subida na torre, La Giralda, de lá temos um boa vista da cidade. A Catedral é grande e vale ser visitada, da vez anterior fiquei quase meio dia, desta vez, apenas 2 horas. Pegamos o carro (lotação completa, 6 pessoas) e seguimos até Gibraltar, é um território Inglês dentro da Espanha, com aduana e tudo, até carros com a direção do lado “errado”. Chegamos na hora do por do sol, tem um teleférico que sobe na montanha, deve ser linda a vista, já estava fechado, que pena, perdemos esse passeio!!  Fomos andar no jardim botânico e visitar o Europa Point, belo local.

Dia 4 – Algeciras até Rabat (Marrocos) – 250 km.

 

Fomos pegar o ferry rápido em Tarifa até Tanger, em apenas 1 hora estávamos na África. Na entrada do Marrocos tem uma aduana cheia de despachantes, todos querem agilizar o processo, resolvi usar os seus serviços e economizar tempo, depois de 1 hora passando por várias fases, estávamos liberados para entrar de carro no país. Um fato interessante foi que depois que saímos da aduana uma pessoa uniformizada nos parou, dizendo que era guarda e queria dinheiro, como ele viu que não me convencia, mostrou um crachá em branco, dizendo sou guarda, não era, resolvi não dar nada e segui. Era um falso guarda! Todos os 10 dias que ficamos no Marrocos, fomos parados algumas vezes e todos os guardas foram educados e nunca pediram nada, existe uma grande quantidade de policiais nas ruas o que dá uma boa sensação de segurança.

Na aduana tem muitas vans abarrotadas de mercadorias vindas da Europa, muitas coisa usadas e velhas que não tem serventia para os espanhóis, porém são muito uteis por aqui.

Uma dificuldade que tivemos desde o inicio foi com os endereços e a língua, mesmo usando GPS, Google Maps, mapa e bola de cristal, era bastante difícil achar os hotéis.

As estradas e o relevo neste primeiro dia foram uma grata surpresa, me lembrou do interior de São Paulo, uma área com muita agricultura.

Em Rabat ficamos em um hotel singular, uma Riad dentro da Medida (casco antigo, dentro da muralha). Este hotel havia sido escolhido pelas fotos, que não refletiam bem a realidade atual. Como era dia 31/12, não nos aventuramos a procurar outro local melhor, além disso, a reserva do outro casal não aparecia, foi um início meio tenso, mas tudo acomodado.

Vimos um belo por do sol do terraço do hotel e escutamos pela primeira vez a reza por todos os lados.

Na noite do ano novo, achamos um restaurante interessante com musica típica e dança. Não havia muitas pessoas, porém estava divertido, pintou até uma paquera entre a filha do dono do restaurante e o filho dos amigos brasileiros.

Senti falta dos fogos de artificio, não vi nada. Aprendi que o Marrocos usa o calendário lunar, ou seja, o ano deles tem menos dias que o nosso, assim a virada de ano é em outro dia!!

 

Dia 5 – 01/01/12 – Rabat até Marrakech – 350 km.

 

Antes de sair fomos visitar o mausoléu do Mohammed V, construído ao lado de grandes colunas romanas, ruínas de uma antiga mesquita e uma torre feita pelo mesmo arquiteto que fez a Giralda de Sevilla.

Na estrada paramos em um restaurante com música, as pessoas pareciam animadas, tinha pratos típicos, tajine e cuscuz. Não tivemos coragem de experimentar, ficou para a próxima.

A cidade de Marrakech é mais tumultuada, lembrou-me um pouco da Índia, pessoas nas ruas, cavalos, carroças, tratores, motocicletas, bicicletas, semáforos que não são muito respeitados, guardas no meio dos cruzamentos, uma bela confusão.

Depois de seguir uma moto até o hotel e descansar por um tempo fomos ver um show de folclore típico, com cavalos, dança, cantoria, restaurante em uma tenda, para comer cuscuz e tajine, claro que sem carne.

 

Dia 6 – 02/01 – City Tour em Marrakech.

 

Contratamos um guia para nos levar nos locais, é muito mais fácil e rápido do que tentar ir sozinho. Visitamos palácios, tumbas esquecidas, Kasbahs (são os palácios dentro da medida), a Medina cheia de lojas. Lojas de tapetes, farmácia natural, artesanato em cerâmica, e quinquilharias para todos os gostos.  Almoçamos em um terraço com vista para a Medida, um formigueiro ambulante.

Resolvi dar um passeio pela Medina sem guia, se não fosse o GPS, acredito que ficaria pedido por horas, um labirinto sem fim. Caminhamos até a mesquita com mais uma torre igual à de Sevilla. Ao anoitecer estávamos na praça central da entrada da Medina, uma atmosfera surreal. Milhares de pessoas andando de um lado para outro, comendo, vendo arte de rua, comprando e vendendo. O ar enfumaçado pelos restaurantes e barracas vendendo comidas.

Foi interessante parar e ver o movimento, pareceu que tínhamos voltado uns mil anos no tempo. Estávamos cansados, voltamos para o hotel, escolhemos o local da próxima parada, jantamos pizza.

 

Dia 7 – 03/01 – Marrakesk até Euford – 530 km.

 

Saímos cedo, as 9hs, a estrada segue em direção as montanhas altas do Atlas, tem montanhas de até 4.000 metros de altura, com neve. A estrada é cheia de curvas e a cada uma, uma surpresa, cores lindas com o contraste do branco da neve e o azul do céu. Um relevo bastante bonito.

No caminho, vendas de pedras, aquelas que por fora não vale nada, porém quando cortadas, surgem belos cristais. Paramos para visitar a famosa cidade de Ouarzazate, onde tinha até um estúdio de cinema, é um local típico de deserto, são rodados em média 3 filmes por ano. Até Indiana Jones já usou suas paisagens, quase todos os moradores são “artistas” de cinema. Visitamos mais uma Kasbah bastante recuperada. Conhecemos os Tuaregues, e participamos da primeira negociação ao estilo Berbere. Onde o preço começa 100 e pode terminar com 10. Ou então uma boa troca, um par de tênis por um tapete, quem sabe!!!

Passamos pelos vales dos rios Todra e Dades, as cores e o relevo são fantásticos. Chegamos ao nosso destino, um hotel bonito na porta do deserto do Saara.

Aprendi que no Marrocos existem predominantemente 3 povos, os árabes, os berberes e os tuaregues. Os beduínos são todos os povos que eram nômades, pelo menos foi isso que entendi. É famoso o conto que se troca a esposa por camelos, não consegui confirmar, porém eles realmente gostam de regatear muito antes de vender e preferem uma boa troca que o pagamento em dinheiro.

 

Dia 8 – 04/01 – Visita ao Deserto – 120 km.

 

Com um guia fizemos um off-road pelas dunas, o caminho não estava no GPS.  Fomos a um local que chamam de praça dos fósseis, por todos os lados vemos pedras com fósseis, deu para ter certeza que a região já foi fundo do mar.

Nessa área tem dois tipos de deserto, o de pedras e o de areia. A cor da areia e o contraste com o céu azul ficam lindos. Vimos caravanas de camelos levado turistas para passear, na primavera e no outono existem muitos acampamentos no meio do deserto, é um programa interessante. No verão chega a fazer 50 graus, a noite para dormir é um sufoco, me disseram que levantam a cada 1 hora para tomar banho.

Paramos para almoçar em um povoado com o nome de Merzuga, comemos um omelete berbere, podem provar que é bom. Mais uma vez, visita a lojinhas, outro tuaregue vendendo tapete, artesanato, babucha (o chinelo tipo Aladin), tecido para vestir e fazer turbantes.

O tuaregue sendo simpático me perguntou que tribo eu pertencia, não entendi a pergunta, mais tarde caiu a ficha, eu pertencia a tribo Brasil. Para eles o conceito de povo e família é forte.

Aprendemos como se faz uma roupa para andar no deserto, será que vamos utilizar algum dia!?!

Voltamos para o hotel e saímos para jantar, por fora o restaurante parecia meia-boca, quando entramos e subimos no primeiro andar, uma bela sala decorada e confortável, comemos mais uma vez cuscuz, esse foi o melhor.  A noite fez frio, na faixa dos 5 graus, não tinha água quente, fiquei sem banho. No dia seguinte negociei com o hotel e consegui 50% de desconto na diária, afinal ficar sem tomar banho deu lucro.

Se quiserem chamar alguém e não souberem o nome, não tem problema, podem usar o nome Mohammed, em 90% dos casos iram acertar.

Semana que vem tem mais!!!! Vejam as fotos!

Comentários  

 
0 # casco antigoTexe 17-01-2012 12:03
Oi Clóvis, o que é casco antigo?
E você está passeando para conhecer lugares ou para comer??? Sevilla então!!!
Abraços.
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0 # RE: Marrocos – Férias Projeto SabáticoClovis Fernando Greca 17-01-2012 13:27
É verdade, este conceito pouco temos no Brasil. As cidades eram cercadas por muros até a idade media, essa parte da cidade, hoje em dia chama-se casco antigo, podemos tambem traduzir como centro historico.
Aqui na Espanha como em muitos lugares do mundo, o "comer" é uma parte importante da cultura, assim, as vezes tambem provo essa cultura.
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0 # ComidasTexe 25-01-2012 15:25
Tem alguma cultura com proteinas por ai para você provar?
Abraços.
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0 # RE: ComidasClovis Fernando Greca 25-01-2012 15:53
O unico problema é que engorda!!!
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