Crise (continuação)

Assunto tão comum, sempre existiu e sempre existirá. Abordado por muitos; filósofos, religiosos, políticos, economistas e principalmente, por todos. Já passamos por muitas situações de crises, ela é o que possibilita e promove a evolução do ser humano e da própria vida. Existem crises em todas as áreas e em varias situações; familiar, conjugal, amigos, profissional, econômica, politica, social, em tudo. Podemos até imaginar que uma doença é um tipo de crise, um conflito do nosso corpo com ele mesmo ou com o ambiente.

Tudo que existe para poder se manifestar passar de ordem ao caos e do caos a ordem, a essa transição, damos o nome de crise. São “forças” naturais agindo, da inércia ao movimento e vice-versa, temperada pela harmonia entre elas.

Já foram escritas várias coisas sobre crise, como sair, porque, quando, como, etc., porém acreditamos que quando somos nós que estamos passando pela situação, ela é diferente, é maior, é única. Na realidade é única mesmo, pois cada um de nós é único. Mas, o ciclo da ordem ao caos e do caos a ordem é comum a todos, ela muda a forma, no entanto a essência é bastante parecida.

Mesmo não vendo noticiários e trabalhando profissionalmente, o assunto crise tem feito parte das conversas que tenho com as pessoas. Resumindo o que consegui entender sobre o assunto, é o seguinte: Foram construídas milhares de moradias, incentivadas pelo governo e financiadas pelos bancos. Começou-se a construir além da necessidade, motivados principalmente pela valorização do imóvel, o credito fácil e o ganho rápido. Vale lembrar que para construir uma casa é necessário também construir a infraestrutura; água, energia, esgoto, transporte, etc.

Resultado atual, milhares de moradias vazias. Disseram-me que a Espanha poderia ficar sem construir nada por 10 anos.  Foram imobilizados recursos desnecessariamente e agora estão fazendo falta em outras áreas. Além disso, está se pagando juros sobre algo sem uso, sem necessidade e sem serventia.

Quando começou esse crescimento econômico, iniciou o aumento da imigração para a Espanha para suprir a falta de mão-de obra e sustentar o ritmo de crescimento. Os espanhóis não queriam trabalhar na construção, existiam salários melhores em atividades mais “nobres”. O poder aquisitivo cresceu rápido, sustentado pelo dinheiro da valorização dos imóveis, do crescimento econômico e do sistema financeiro (empréstimos, hipotecas, endividamento).

Todos se acostumaram com a fartura e abundancia.  Foram cerca de 20 anos nesse processo. Dá até para esquecer o que causou o desenvolvimento e trouxe todo esse conforto. Principalmente para os jovens da época. E foi assim que esses jovens educaram seus filhos. Nesse tempo criaram-se hábitos, zonas de conforto, comodismos que não se deseja perder ou mudar, mesmo que se saiba que não são sustentáveis.

Com o esgotamento da ilusão do ganho rápido, principalmente para as pessoas que avançaram além da realidade, e foram muitos, surge o que chamam de crise. Muitos dizem que sabiam que estava acontecendo algo de estranho, porem não queriam saber de questionar o problema, queriam apenas usufruir dos resultados.

Tem um proverbio antigo que diz que um dos maiores castigos que podemos ter, é obter sucesso ou vitorias por muito tempo e sem interrupção. Se acontecer isso, perdemos a referencia e não sabemos o que foi ou o que é necessário para nos manter no caminho do sucesso, da evolução, do desenvolvimento, etc.

Na Espanha, disseram-me que o desemprego está na faixa dos 20%, é muito. Isso gera uma sensação enorme de perigo e grande possibilidade de perda do que foi ganho. Instala-se uma disputa para manter o poder econômico, ninguém deseja abrir mão da sua zona de conforto e suas “conquistas”.

Para refletimos, faço um exemplo de uma solução utópica e impossível. Seria que todos reduzissem seus ganhos em 20%, com essa redução teríamos recursos para amparar e dar trabalho para os 20% que estão desempregados. Quem faria isso? Poucos, muitos poucos.

Um dos grandes responsáveis desta situação foi o desejo de ganhar dinheiro. Imagino que a longo prazo deve ocorrer uma grande mudança no que entendemos por valor monetário (dinheiro), e como damos valor as coisas. Hoje a grande maioria das pessoas tem como meta na vida ser rico ou simplesmente ganhar dinheiro. Acredito que a meta deveria ser outra, deveria ser buscar a felicidade, compartilhar felicidade e descobrir novas possibilidades ou formas de caminhar para a felicidade.

Outro dito popular diz que dinheiro realmente não traz a felicidade, mas que ajuda, ajuda. Penso que na realidade, o que traz, é prazer momentâneo. A felicidade é um conceito absoluto e como tudo que é absoluto, não é facilmente compreensível, por sermos seres relativos ou duais. Assim, temos dificuldade de assimilar o conceito de felicidade e defini-la. Para facilitar esse processo, penso que deveríamos procurar estar apenas no caminho da felicidade ou em sua busca, sabendo que nunca devemos alcançá-la. E para isso, é necessário termos consciência de onde surgem as coisas e quais consequências o seu uso e nossas ações provocam no mundo.

Fechamento

Na próxima semana vou procurar fazer uma relação entre os três temas!!

PS.: vou citar novamente as fotos do Volvo Ocean Race, que estão muito legais.

Comentários  

 
0 # E o que 'e felicidade???Edileuza Giacomini 03-11-2011 23:39
Acredito que todo mundo gostatia de se feliz, de atingir a felicidade, mas o que 'e felicidade? Como sabemos que somos felizes? Podemos ser felizes o tempo todo?Como encontramos a felicidade? O que 'e felicidade para mim pode significar o mesmo para outra pessoa? Para mim, felicidade são alguns momentos da vida, naqules momentos onde nos sentimos realizdos e com vontade de sorrir e abraçar todos aqules que passarem por agente naqule instante. Estar bem comigo mesmo e em paz, que também são momentos.Agora me diga o que é felicidade para vc?
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0 # RE: E o que 'e felicidade???Clovis Fernando Greca 04-11-2011 09:04
Me parece que pegou o espirito da coisa. Quem estava fazendo o papel de fazer perguntas era eu.
Escrever o que é felicidade é promissor, veja quanto já foi escrito. Existem formulas e mais formulas explicando, definido, dando exemplos sobre a felicidade.
Mesma assim, ela é especial e diferente para cada pessoa.
Eu continuo no meu ponto, que felicidade é um conceito absoluto, como o infinito. Para nossa mente não existe nada tão grande que não possa ser aumentado, assim não conseguimos definir felicidade.
Mesmo assim, vou tentar responder a sua pergunta. Não sobre o que é felicidade para mim, mas sim com me sinto quando estou no caminho da felicidade.
A primeira coisa é que apenas temos a sensação, do que damos nome de felicidade, quando olhamos para trás, para o passado, ou para fora de nós. Ai, ficamos surpreendidos e pensando que estamos felizes ou que sentimos uma felicidade enorme e nem tínhamos dado conta.
continua..
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0 # RE: RE: E o que 'e felicidade???Clovis Fernando Greca 04-11-2011 09:06
A esses estados poderíamos dar outros nomes de alegria, satisfação ou prazer. Sempre são momentos, isso promove uma dificuldade para o ser humano.
Desejamos nos manter o máximo de tempo com essas sensações. Mas, da mesma forma que para conhecermos o calor é necessário conhecer o frio, para nos sentirmos felizes é necessário termos momentos que não temos este sentimento. Isso não que dizer que devemos nos sentir infelizes ou tristes, porem são momentos com outras sensações. A busca incessante por prazer ocorrem devido a confusão sobre o que entendemos sobre felicidade.
continua...
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0 # RE: RE: RE: E o que 'e felicidade???Clovis Fernando Greca 04-11-2011 09:08
Minha resposta
Eu me sinto no caminho da felicidade quando, olhando para fora, para o passado, quando:
- quando vejo um bela paisagem
- escrevendo ou lendo um texto que faz sentido para meu coração
- compartilhando experiências
- me dispondo a superar desafios
- descobrindo lugares e coisas novas
- contribuído com outras pessoas na sua busca de felicidade
- assistindo uma cena que me emociona
- escutando um boa musica
- sentindo que estou sendo carinhoso, bom, compassivo com o mundo fora de mim.

Vou para por aqui, acho que essa lista vai ficar muito longa!!!!

Eu tive grande momento de felicidade, está escrito no meu relato “Chegando a Sevilla” , se não leu, poderia ler, lá descrevo o melhor possível como me sinto neste estado.

Um beijo e obrigado pelo comentário.
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0 # FelicidadePaulo H. Gonçalves 04-11-2011 14:44
A vida passa muito ráido, façamos o bem, a verdadeira alegria está em saborearmos as coisas mais simples da vida e termos gratidão por elas. Na verdade precisamos de muitopouco par sermos felizes e esse pouco é possível colocarmos dentro de uma "mochila" :D.
Grande abraço meu amigo de caminhada !
Deus abençoe !
Paulo Henrique Gonçalves - Itajubá-MG / São Paulo-SP
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0 # RE: FelicidadeClovis Fernando Greca 17-11-2011 09:43
Para quem faz um caminho como o de Santiago, fica bastante evidente que precisamos de muito pouco e além disso, todo o excesso que carregamos é um peso morto.
Como todo peso morto, ele nos atrapalha, eu por duas vezes aliviei o peso na mochila.
Durante a vida temos que fazer isso, a dificuldade é que nos apegamos a cosias, emoções, pensamentos e sentimos grande dificuldade de desapegarmos.
Que tal se pensássemos como fiz com meu excesso de peso, enviei pelo correio para meu futuro.
Como isso o caminhar fica mais fácil e nos sentimos leves e felizes.
Paulo, obrigado por sua mensagem, ela é 100%
Abraços
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0 # Aprender a desaprenderTexe 17-11-2011 10:28
Oi Clóvis,
em um evento que esive, há algum tempo atrás, ouvi de um palestrante de educação, cinetista de tecnologia, que é muito importante aprendermos a desaprender.
Com estes comentários lembrei desta citação, pois jogar o peso morto para o futuro é mais ou menos aprender a desaprender (desapegar), para poder aprender tudo de NOVO.
Quem sabe lá no futuro pegamos o nosso peso morto e notamos que não tem mais a menor necessidade para o NOVO aprendido?!?!?
Abraços.
Teixeira
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0 # RE: Aprender a desaprenderClovis Fernando Greca 17-11-2011 15:26
É isso mesmo. Na aula de expressao volcal que estou fazendo, entre outras cosias que estou aprendendo, é que devo desaprender a fazer coisas, só assim irei conseguir fazer algum "latido ou granido" novo.
Sim, provavelmente quando chegarmos no futuro, quase tudo, ou melhor ainda, tudo que pensamos ser impresendivel no presente, deixará de ser. Será que temos coragem de fazer para desepegamos?
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