Diversidade, Solidariedade e Crise

 

Fico atento a fatos que me chamem a atenção para escrever sobre eles. Essa semana tivemos o feriado da hispanidade, dia 12 de outubro, ele comemora o dia do descobrimento das Américas por Cristovon Colombo.

Uma das formas de comemorar em Alicante foi apresentando espetáculos de música e dança dos países de língua espanhola. É um evento com o nome de DiversAlacant, um encontro intercultural para promover a integração das pessoas e culturas. Ao redor de 100 entidades apresentam seus projetos. Muitas associações de voluntários estavam presentes mostrando seus trabalhos, arrecadando fundos e procurando novos participantes.

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Por fim, o tema crise tem feito parte de quase todas as conversas que tenho com os espanhóis, eu pessoalmente e intencionalmente não estou vendo noticias, estou alienado de informações e não percebo a crise.

Fui entrando em sintonia com os temas e diversos fatos foram atraindo minha atenção, o dia da Hispanidade, jantar na casa de um amigo com pessoas de países diferentes, saída na noite e passeio no mercado de pulga de Valencia, visita ao museu de Alicante com exposição de obras do Ermitage sobre o povo russo, lembrança de conversas sobre a história da Espanha e vários outros eventos que foram se conectando aos assuntos.                     

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Vou procurar escrever uma visão particular e sem toda a abrangência e conhecimentos que os temas merecem, questionando alguns aspectos. Provavelmente não encontre respostas, mas a reflexão e um possível debate, já são formas de resposta.

Diversidade

Existem muitos contrastes entre o que conheço sobre diversidade sociocultural no Brasil e a que encontrei aqui na Espanha. Para começar a Espanha tem uma área em torno de 6% da área do Brasil, equivale mais ou menos a duas vezes o estado de São Paulo. Tem 47 milhões de habitantes que representa +/- 25% da população do Brasil e seu PIB fica em 62% do nosso (base 2010). Falamos português, bem ou mal, mas temos apenas uma língua, sem contar as línguas indígenas.

 “O idioma proeminente na Espanha é o castelhano (também chamado e mais conhecido internacionalmente como espanhol), que é falado por quase toda a população do país. Outros idiomas têm importância maior em algumas regiões: basco (euskera ou euskara) no País Basco e em Navarra; catalão na Catalunha e nas Ilhas Baleares e em diassistema, como variante deste primeiro, o valenciano, na Comunidade Valenciana; e por fim o galego na Galiza (em diassistema com o português em ambas as margens do rio Douro).

O castelhano é oficial em todo o país; os outros tem status de idiomas co-oficiais em suas respectivas regiões e têm grande relevância local, tendo inclusive diversas publicações como jornais diários nestes idiomas e, especialmente para o catalão, o basco e o galego, há significante produção e publicação de livros e indústria midiática.

Muitos cidadãos nestas regiões consideram seus idiomas locais como idioma primário e o espanhol, como secundário; estes idiomas abrangem áreas tão amplas que têm dialetos distintos, incluindo o próprio castelhano, que tem como variantes os dialetos andaluz e canário, como um destes com suas próprias subvariedades, algumas parcialmente próximas ao espanhol da América, que influenciaram em diferentes graus, dependendo da região e período, e de acordo com as migrações e processos de colonização.

Além disso, há crescente suporte para outros idiomas regionais, alguns em perigo de extinção. Estes incluem o astur-leonês: asturiano nas Astúrias e leonês no antigo Reino de Leão, aragonês em Aragão, e aranês, dialeto do idioma occitano, falado apenas no pequeno Vale de Aran, Catalunha, mas suficientemente vivo para ser idioma co-oficial e ser usado em suas escolas públicas.

Com a exceção do basco, que aparenta ser um idioma isolado, todos os outros são derivados do latim. O árabe ou berbere é falado pela população islâmica de Ceuta e Melilha e em outros locais pelos imigrantes recentes, principalmente de Marrocos e da Argélia.

Durante a ditadura do general Francisco Franco, todos os idiomas, exceto o castelhano, foram banidas, com o objetivo de criar uma Espanha unida e uniforme, destruindo quaisquer formas e fatores de separatismo, especialmente os movimentos basco, catalão, e em menor intento, o galego.”                                                                                                                  Fonte: Wikepedia.org

Em relação à geografia, as colonias espanholas nas Américas deram origem a dezenas de paises diferentes enquanto a colonia portuguesa deu origem apenas ao Brasil.

O Brasil, como aprendemos na escola, tem apenas 500 anos de história, a Espanha foi parte do Imperio Romano e até antes disso, teve o povo Ibérico +/- 2.000 ac., existindo uma forte herança cultural.

Nos ultimos 10 anos houve uma grande imigração para a Espanha de pessoas de vários locais do mundo, especialmente do leste europeu (Romenia e Bulgaria), da Africa (Marrocos e Argelia) e dos paises hispânicos das Américas, é claro que não podemos nos esquecer dos chineses.

Tive a impressão que os países de língua espanhola são mais unidos que os de língua portuguesa, parece existir uma grande troca de experiências e colaboração mutua. A valorização, divulgação, preservação e estudo dos usos e costumes dos países são incentivados e promovidos.

Com tudo isso a diversidade na Espanha é enorme. Com fim da ditadura de Franco, o peso das regionalidades cresceram. Para acalmar os ânimos, foram criadas comunidades autônomas, que como o nome diz, deu mais autonomia para as regiões, diminuindo a dependência do governo central. As comunidades são formadas por uma ou mais províncias ou mesmo cidades. As províncias equivalem aos nossos estados

Com isso, em direção oposta à globalização, cada comunidade, em grau diferente, procura se diferenciar.  Mesmo dentro duma mesma comunidade ocorre uma diversidade. As festas e costumes de cada província são cultivados. Inclusive existem grupos que tentam promover a independência de comunidades ou províncias da Espanha.

Minhas duvidas quanto a esse tema são:

Como manter a valorização da diversidade sem ir em direção a separatividade? Ou,

Como criar ou manter um sentimento de individualidade sem perder a coletividade?

Até que ponto uma língua é necessária para preservar uma cultura?

Como viver em harmonia com tanta diversidade ao nosso redor?

...

Quando viajei para a Índia tive uma percepção parecida, com uma variedade maior que da Espanha. O interessante foi ver que tanta diversidade cria um conjunto maravilhoso. A natureza também segue nesse caminho, quanto mais diversidade há, mais equilibrado, saudável e belo é o local.

Todos os seres humanos têm necessidades idênticas, todos querem ser felizes, mesmo não sabendo verdadeiramente o que é felicidade. Desejamos ser reconhecidos como seres individuais, porém acolhidos e pertencentes a uma coletividade, as diferenças são na forma, não no conteúdo.

 

Solidariedade e Crise

Vai ficar para a semana que vem!!!!

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