Liberdade de Escolha. Existe?!

Esse tema fez parte de minhas reflexões nos últimos dias. Acabei decidindo ir morar em Cabo Huertas, na cidade de Alicante. Acredito que tive liberdade de escolher e decidir por este local conscientemente, levando em consideração os aspectos já mencionados nos diários anteriores.

Será que isso é verdade?  Sinceramente, tenho muitas dúvidas. Tenho dúvidas se pude decidir conscientemente ou se o inconsciente conduziu-me à escolha.

Vou relatar um fato, sem importância em relação à escolha, que criou em meus pensamentos dúvidas, sobre a real liberdade que tive de escolher de forma consciente, o local para viver e os caminhos trilhados até agora.

Percorri a costa sul/sudeste da Espanha, iniciando na divisa com Portugal e terminado na divisa com a França. Nesse caminho entrava em várias ruas, estradas e locais, muitas vezes sem saída e de difícil acesso. Não tinha um rumo definido, andava explorando. Quando cheguei a divisa com a França, resolvi ir visitar novamente as áreas que mais me interessaram.

Outra vez, entrava em ruas e estradas de forma aleatória, agora explorando com muita calma e vendo detalhes. Estava de motor-home, em ruas pequenas, estradas estreitas, as vezes sem asfalto, um pouco difícil. Não sabia se o caminho tinha saída ou não, mesmo assim, entrava em vários becos.

Em um dado momento, depois de voltas, ter feito diversas escolhas, de virar à direta, à esquerda, ir em frente, subir, descer, percebi que estava no mesmo local que passara há quinze dias.

O lugar não tinha nada especial, simplesmente era bastante difícil de chegar, demorei quase uma hora. Realmente, não sei como cheguei lá e tenho certeza que de uma forma consciente, não consigo encontrar novamente o local.

Pergunto-me. Como fiz as mesmas escolhas da vez anterior? Não foi apenas uma escolha, foram dezenas, uma hora de escolhas, idênticas às feitas há quinze dias. Decisões iguais!!

Acreditava que não havia passado por aquele caminho, acreditava que fazia novas escolhas, que tinha liberdade e consciência das escolhas. Apenas quando cheguei ao fim do caminho, vi que já conhecia o lugar.

Esse fato chamou atenção, pois me parece que a escolha inconsciente pode acontecer com frequência em varias situações, não apenas físicas como emocionais.

Assim, sinto que a “liberdade consciente de escolha” é fortemente influenciada pelo inconsciente.

O inconsciente pode se manifestar de duas formas:

- Primeira - O inconsciente coletivo, aquela reação/decisão que é feita com base no coletivo, que sozinhos talvez tivéssemos outras escolhas, é o estouro da boiada, fazemos parte de uma manada com pouca consciência individual.

- Segunda - O inconsciente individual, esse também faz parte do meu Ser porem, desconheço “sua” matriz de decisão e o que o faz escolher por A ou por B.

Vou procurar explorar este assunto para entender o que nos leva a fazer as escolhas, como processamos as escolhas e como poderíamos realmente fazer escolhas conscientemente.

De certa forma abordei parte desse assunto na reflexão “O Caminhar Solitário”, usando a gravidade e a atração gravitacional como exemplos comparativos das nossas verdades relativas.

 À medida que experimentamos eventos, aumentamos a “atração gravitacional e a gravidade”, ou seja, o inconsciente fica com mais gravidade, mais denso, mais experto. Não importa se o evento gerou uma sensação agradável ou desagradável. Se a interpretação do fato é verdadeira ou falsa. Passaremos a agir de forma padronizada e automática, estimulo X resposta.

Acumulamos esse conhecimento de maneira inconsciente, ele passa a ser nossa verdade relativa. Para sermos mais produtivos, gastando menos energia, o inconsciente responde de forma automática. Ele não passa o controle para o consciente, que consome mais energia. Assim, a lei básica do mínimo esforço e máxima eficiência entra em ação.

Quando vivemos novos eventos, o inconsciente é o primeiro a agir, procura a resposta com maior gravidade, escolhe de forma automática, sem passar pela consciência. Limitando a possibilidade de novas repostas.

Experiência à Conhecimento à Aprendizado à Acumulo no Inconsciente dos resultados obtidos. (à = cria ou gera)

Novas Experiências à Análise e resposta do inconsciente.  A resposta mais adequada para o inconsciente é aquela com maior atração gravitacional, aquela que gasta menos energia. Se o inconsciente não encontrar a resposta, passa o controle para o consciente.

Consciente à Alternativas e novas respostas, novas possibilidades. Apenas quando o poder de decisão está no consciente é que temos a verdadeira liberdade de escolha.

A dificuldade é que a resposta, ou a decisão, ou a escolha, ou o colapso, ocorrem em camadas ou em rede. Não percebemos o que causou o colapsou, a resposta, se foi no consciente ou no inconsciente.

O inconsciente procura respostas com o máximo conforto e com o mínimo de consumo, ele não cria novas possibilidades.

Já o consciente usa o mundo exterior para buscar alternativas. Ele nos tira da zona de conforto gerando um alto consumo de energia. Essa energia é abundante, é ela que nos faz sentir vivos e felizes. Quando conseguimos tomar uma decisão realmente consciente, potencializamos a energia devolvendo ao universo, neste momento temos a real liberdade de escolha.

Voltando a escolha por Alicante, a cada nova análise que faço, percebo que houve muitos fatores inconscientes que levaram a essa decisão. Para mim, o importante agora é trazer para o consciente e validar mais esses itens na matriz de decisão.

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