Diário Via de La Plata - dias 30/06 à 04/07

30-06 (61) Mérida – City-Tour – 20 km a pé

O nome da cidade na época romana era Emérita Augusta, foi um lugar importante no império romano e data do ano 25 a.C. Fui a diversos sítios e ruinas arqueológicas, dizem que não se pode escavar por aqui, que encontra algo antigo.

Visitei um grande teatro, anfiteatro, aquedutos, templos, um circo romano (local que faziam disputas de corridas de cavalos), etc. Foram 20 pontos turísticos entre ontem a tarde e hoje, deu para cansar, mesmo assim, gostei.

Pude refletir que muitas cidades são construídas umas sobre as outras, aqui temos, uma cidade romana, visigoda, árabe, espanhola. Parece que a evolução, seja do que for, ocorre uma etapa sobre a outra. Provavelmente somos assim também.

A percepção e constatação que a evolução é desta forma, é notada com o transcorrer do tempo, quando cavamos para fazer novos alicerces.

 

01-07 (62) Mérida até Safra – 64 km

Os 10 km iniciais foram pelo caminho, em terra, estava gostoso até começarem a surgirem pedras soltas, areia, subida, ter que descer da bike para empurrar morro acima. Voltei para a estrada asfaltada. Pedalar escutando musica é gostoso, parece que o esforço é menor, principalmente quando estamos em uma estrada movimentada com veículos passando ao lado. Agora começo a ver plantação de uvas e oliveiras.

Faltam apenas 3 dias para chegar a Sevilla, estou planejando e escolhendo ficar nos melhores locais, usando as informações dos peregrinos que encontro.

Parece que as vilas estão diminuindo, agora encontro cidades, pequenas, mas cidades.

Reparei que não estou vendo e procurando os sinais, as flechas amarelas, que indicam o caminho, elas estão lá, mas como agora apenas uso o GPS, me esqueci delas e “desapareceram”!

O dia estava nublado e a temperatura não subiu tanto, ficou entre 30 e 35 graus!

No horário entre 14:00 e 18:00 hs, as pessoas desaparecem, as ruas ficam vazias, lojas fechadas. Difícil encontrar as pessoas, onde foram? Os restaurantes ficam vazios, acho que vão para casa e depois fazem a ciesta.

Achei um restaurante barulhento, poucas pessoas, mas falando alto, todos em pé a beira do balcão apenas bebendo e aperitivando. Usei o Ipod e coloquei minhas musicas tranquilas. Como é cansativo e chato escolher todos os dias onde comer e o que comer!

 

02-07 (63) Safra até Monesterio – 44 km

Ainda não chequei a conclusão em qual cidade pretendo morar, com isso, resolvi percorrer a costa do mediterrâneo espanhola, assim descubro outros locais, além dos que já visitei, Barcelona e Valencia. Vou fazer isso com o tempo que economizei andando de bike ao invés de a pé como planejado no projeto sabático.

Estou rodando pouco para chegar a Sevilla no dia 4-07, mesmo assim, os trechos de subidas são cansativos. Sempre que tenho uma subida, em seguida torço para ter um plano e não uma descida, porque se descer, terei que subir novamente.

Hoje é meu último dia na comunidade autônoma de Extremadura, terra árida e quente, amanhã entro na Andalucia. Escolhi ficar em Monesterio por estar a 800 metros do nível do mar, deve ser um pouco mais fresco.

Tenho encontrado poucos peregrinos, alguns dias como o de hoje, nenhum, outros dias no máximo uma dúzia, e olhe lá. Que diferença com o caminho francês! Também, com essa temperatura é difícil. Para dormir é necessário ar condicionado ou paredes de pedra bem grossa para ficar confortável e poder descansar.

Tem uma grande piscina pública no povoado, cheia de crianças, passei boa parte da tarde. Quando fui entrar na água, um menino me perguntou se era minha a bicicleta na entrada da piscina, eu disse que sim, pois bem, me respondeu que estava sem a roda dianteira! Haviam roubado, junto com o estojo de emergência de baixo do banco. Entrei na água por uns 5 minutos e fui ver o que aconteceu e como resolver a situação. É sábado, as lojas estão fechadas, como prosseguir?!

Chegando à bike, havia um zum-zum em volta, varias crianças comentando, os meninos em turma ao redor, algumas mães indignadas com o fato, os rapazes e homens com olhar de indiferença, pensando que eu fui descuidado e que não deveria ter deixado a bike ali.

A gurizada sabia quem foi, senti que muitos deles viram o roubo, mas se calaram.  Fui até sondado por um menino se não queria comprar a roda de volta, optei por não. A recepcionista da piscina perguntou se eu gostaria de chamar a policia, relutei e não chamei. Um senhor da prefeitura me ajudou a localizar o dono da loja de bike, para comprar outra roda e me deu uma carona até a pousada. Ainda não apreendi a andar em uma roda só!

Chateei-me, subestimei os sinais ou superestimei a segurança, prendi a bike bem na entrada da piscina. Na hora que deixei a bike, refleti sobre a possibilidade de ser roubado, mas não dei atenção, vários espanhóis já haviam comentado comigo essa possibilidade, parece que é comum acontecer isso aqui na Espanha.

Além deste aviso, outros sinais que não dei atenção:

- No dia anterior, peregrinos me disseram que não ficaram bem instalados na vila, passaram calor e comeram mal. Eu procurei na internet outras pousadas, achei, porém os comentários na rede eram ruins.

- Quando escolhi a pousada, perguntei se o ar condicionado estava funcionando, me disseram que agora não, apenas depois das 14:00 hs, não funcionou, passei calor e dormi mal.

- A conexão com a internet não funcionava e não tiveram a mínima vontade de consertar.

Comprei a roda, câmera, pneu e disco de freio, quando montei, notei que roubaram também a bomba e a luz dianteira. Fiquei bastante triste, não apenas pelo roubo e prejuízo de 150 euros, mas também por não ter tomado os devidos cuidados para não passar por isso. Acho que uns dos fatores que contribuiu fortemente para o fato é meu excesso de confiança nas escolhas.

 

03-07 (64) Monesterio até Castilblanco de los Arroyos – 65 km

Saí cedo, estava até frio. Foi uma boa descida, bati o recorde de velocidade, 66 km/h.

Com o tempo fui absorvendo o fato do roubo e do erro, fui me harmonizando e me tranquilizei.

Na entrada do albergue havia vários (8) peregrinos aguardando a abertura do portão, que boa, companhia e conversa. Conclusão obtida, não sair da rota e também procurar parar onde tem albergues, acho que a energia dos peregrinos ajuda nas escolhas.

Hoje é meu penúltimo dia no caminho, amanhã chego a Sevilla. Deve ser meu “último” dia como peregrino, será? Talvez por agora. De uma forma ampla, acho que sempre serei um peregrino e como não acredito que exista um fim, também não existe um último.

Acabei indo novamente à piscina, tomei mais cuidado com a bike, a água estava uma delicia, comi paella por 2 euros o prato. Passei a tarde conversando com um peregrino espanhol, ficamos trocando idéias e me dando indicações de locais para morar. Uma boa tarde de domingo no parque!

Fui jantar tapas vegetarianas (pequenas porções), não é que o bar era de um brasileiro que é o cozinheiro também!

Depois da janta, fui ao terraço do albergue e continuei a conversa com o Espanhol, Jaime. Ele me indicou um bom local para hospedar-me em Sevilla, marquei no GPS. Estávamos animados, conversando e rindo. Uma inglesa irritada com o volume da nossa conversa saiu do quarto e foi para a rua batendo portas, não percebemos que estávamos falando alto. Após isso, abaixamos o volume. Não seria melhor para ela, se apenas tivesse pedido para nós falarmos mais baixo ou nos mudarmos de local? A inglesa voltou a dormir, porém irritada, má escolha dela, dormiu com uma energia que não era necessária.

 

04-07 (65) Castilblanco até Sevilla – 46 km

Cheguei. Aguardem, vou preparar uma edição especial para esse dia!!!!

Comentários  

 
0 # Nossa! O que aconteceu neste dia? Estou curioso.Paulo Edileuza 10-07-2011 02:38
Quero ouvir mais relatos dos vinhos que vc tomou pelo caminho !
Responder | Responder com citação | Citar
 
 
0 # Nossa! O que aconteceu neste dia? Estou curioso.Clovis Fernando Greca 11-09-2011 17:25
Paulo,

Sim é verdade, este dia foi especial. Eu acabei fazendo um relato especial que se chama chegando a Sevilla. Lá eu colequei em detalhes como foi.
A Espanha tem tudo que desejamos dos vinhos. Que tenha variadade, qualidade e bom preço.
Consegui tomar vinhos razoaveis por até 2 euros a garafa. Dá pra imaginar!!!
Abraços
Clovis
Responder | Responder com citação | Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

For a professional business hosting we highly recommend hostgator review or cloud hosting
Joomla Templates designed by Joomla Hosting