Diário Fisterra - de 03 a 05/06

03-06 (35) Santiago até Negreira – 23 km

Saí apenas as 9:00 hs, depois de ter enviado os roupas extras para Valencia. Estou carregando a bota antiga, apenas por segurança, por alguns dias, peso extra. A bota usada está com cerca de 2.000 km, acho que é hora de aposentá-la, a sola no calcanhar está bem gasta.

As parreiras estão carregadas, tem muitas, algumas já tem uva aparecendo. Tem feito um pouco de calor, enfim a primavera.

O caminho ficou mais relaxado, diminuiu muito o número de peregrinos. Parei para o lanche por 30 minutos e não passou ninguém.

Fiquei no albergue municipal de Negreira, em cama, não beliche, isso é bom. O ruim é que fica a 500 metros depois da cidade, parecem uns 3 km quando existe a expectativa da chegada.

Resolvi fazer trechos menores que o padrão deste caminho que são 30 km, por isso tive que fazer uma reservar no local da próxima parada.

Como tem menos peregrinos, tenho a sensação que o tempo se alongou. Estou com bastante tempo para refletir sobre a rota do caminho de volta.

 

04-06 (36) Negreiro até Santa Mariña – 22 km

Caminhei com um americano de 20 anos, de Las Vegas. Ele estava fazendo intercâmbio e morando em Barcelona. Conversamos sobre Barcelona, o caminho primitivo e do Norte, por aonde ele veio. Contou-me que por dois dias seguidos caminhou 50 km, não pretendo fazer isso. Continuo na dúvida qual caminho voltar.

A temperatura está agradável, um céu azul e um vento freso.

Após o lanche encontrei Michele, a Francesa.

Para fazer distâncias menores, terei que mudar a rota, usualmente os peregrinos vão de Santiago a Fisterra e depois a Muxia, eu estou fazendo Santiago-Muxia e Muxia-Fisterra.

Em Santa Mariña o albergue é privado e fica na beira a estrada, com galinha, vaca e celeiro, mais nada. A vaca tem nome de Rúbia e responde para a dona, a Mercedes.

Quando fui estender as roupas no varal, vi um cachorro acorrentado no caminho, ele tentou me morder, acho que errou, apenas me empurrou e a corrente o puxou de volta. Sorte minha.

Senti saudades de casa, estava escutando músicas que me remeteram ao Brasil.

 

05-06 (37) Santa Mariña até Dumbria – 23 km.

Estou caminhado sozinho, tenho encontrado Michele nos albergues ou durante o caminho. A música tem me trazido emoções e sentimentos gostosos, acho que está fazendo o mesmo efeito que rezar ou mantrar. Tenho tido muitas vezes a sensação de liberdade, amor e paz. Mesmo caminhando sozinho, sinto-me envolvido e preenchido.

O albergue de Dumbria é muito bom, novinho, com dependências espaçosas, cozinha completa... Estávamos apenas em duas pessoas em um espaço preparado para 40.

Michele foi ao supermercado e comprou arroz, marisco em conserva no óleo, pão e vinho. Uma bela refeição.

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