O caminho - dias 25 e 26/05

25-05 (27) Trabadela até O Cebreiro – 19 km

Em Trabadela pela primeira vez fiquei no mesmo quarto que outros brasileiros, baianos, de Salvador. Foi bom conversar um pouco em português.

Os guias dizem que a subida do O Cebreiro é dura, isso cria uma expectativa. Caminhei junto com a austríaca/egípcia, Lisa. A subida é de 13 km com 700 metros de desnível. Pareceu-me que para a Lisa a subida estava difícil, tentei anima-la para tornar o percurso mais fácil.

Achei a subida relativamente tranquila, nos últimos dois dias tenho caminhado mais devagar que o meu ritmo normal, com isso sobra folego para as partes mais difíceis. Eu mantenho a proposta para esta semana de andar menos, suave.

Faltam cerca de 170 km para Santiago, tenho a sensação que agora esta perto. Isso provoca o desejo de postergar a chegada, mesmo que para mim, seja apenas a metade do caminho. Disseram-me que vários peregrinos, quando vão se aproximando de Santiago, andam mais devagar, acho que não queremos que acabe o caminho.

Ex-peregrinos que conheci em Valencia me disseram que tem uma missa interessante em Triacastela, vamos ver! Inicialmente não iria parar nesta cidade, como calhou de andar pouco estes dois últimos dias, deve dar para ficar lá, será?

Em dois dias seguidos vi placas sobre restaurantes vegetarianos, agora uma no inicio da subida para O Cebreiro, pena que não deu para ficar, quem sabe na próxima vez.

No relado do dia 23-05 entre Mollinaseca a Cacabelos, faltou um fato interessante. Tem uma lenda que diz que quando as primeiras caravelas chegaram a América, os nativos não conseguiam enxergá-las, mesmo estando a pouca distância da praia. Isso porque eles não imaginavam que seria possível construir algo como uma caravela. Diz a lenda que o feiticeiro da tribo, começou a olhar para o mar e a notar que a agua tinha algo de diferente, de repente ele consegui enxergar o que estava lá, as caravelas dos espanhóis. Gritou e todas as outras pessoas da tribo também puderam ver.

Comentei isso, pois algo parecido aconteceu comigo. Depois que eu vi aquele pé de cerejas, carregado de frutas. Comecei a ver muitas outras cerejeiras, claro que nenhuma tão bonita, sempre a primeira é a melhor.  Surgiram muitas árvores frutíferas, maçã, pera, pêssego,... até o trigo começou a aparece dourado. Em fim será que chegou a primavera? Tomara que sim, estou cansado do frio.

26-05 (28) O Cebreiro até Samos – 33 km

Fiquei em uma pousada, queria dormir bem, sem roncos. Quando saí de manhã, parecia que chovia, pensei em voltar para o quarto, mais não voltei. Andei mais um pouco e vi que não era chuva, apenas muita neblina e condensação nas folhas das árvores, estava em um local com muitas árvores.  

No café, a pessoa que estava servindo parecia mal humorada, fazia o maior barulho possível para recolher os talheres e pratos usados e para preparar o café. Uma energia ruim para começar o dia. Tomei meu café e saí sem me despedir o mais rápido possível, queria uma boa energia para começar o dia.

A neblina estava densa e molhada, caminhei cerca de 4 horas sem ver o sol, apenas neblina. Caminhava rápido, em 2 horas fiz 12 km. Após dois dias caminhado devagar, soltei o freio. Quando se caminha sozinho, caminha mais rápido. Queria parar apenas quando saísse o sol, desisti de esperar, parei em um bar após 2:30 horas. Quem encontro? O Italiano, Michele, boa surpresa, ela estava com a austríaca Simone.

Caminhamos juntos, eles iriam pegar uma rota alternativa, mais longa em 6 km, porém mais bonita, a partir de Triacastela. Resolvi mudar meu destino e continuar com eles.

Paramos para almoçar, foi bom, comi polvo a galega, agora estamos na Galicia, onde se fala galego, uma mistura de português-espanhol-francês. Depois do almoço continuamos a caminhar até chegar ao albergue em Samos, são cerca de 10 km, é dentro do mosteiro.

Ao chegar, quem encontramos? Stefan, o Holandês, ele disse que um cachorro o forcou a seguir até Samos, ele estava na outra rota e teve que voltar. Fomos a missa para escutar os monges cantarem, é diferente.

Na janta estávamos eu, Michele, Stefan e Simone, demos muitas risadas e relaxamos. Agora eu também estava em um grupo.

A noite foi difícil, havia um grande urso perto da minha cama. Acabei descobrindo que existe qualidade diferente de protetor auricular, o desta noite não funcionava.

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