O caminho - dias 23 e 24/05

23-05 (25) Mollinaseca até Cacabelos – 24 km

No início do dia, após caminhar cerca de 1 km, paro para fazer o alongamento, antes de reiniciar vi um pé de frutas vermelhinhas. Olhei bem, são cerejas, muitas, uma arvore grande e recheada. Não tive duvidas, comecei a comer, comi muitas, estavam geladas, uma delícia. Os espanhóis não têm o hábito de comer frutas pela manhã, eu sinto falta.

Pela primeira vez, não fiquei em uma cidade maior, também não me esforcei para isso. Foi um pouco cansativo cruzar Ponferrada de uma só vez, cerca de 4 horas em meio a ruas, carros, semáforos, caminhões, além da dificuldade em ver os sinais do caminho. Quando durmo em uma cidade maior, quebra o percurso urbano em duas vezes e não se torna tão cansativo.

Chegando a Cacabelos encontrei o holandês, o Stefan e em seguida o italiano, Michele e o Cristof, Belga. Um grupo, me incluindo, que tem se encontrado nos últimos dias, não temos andado juntos porém, sempre estamos nos encontrando em algum lugar. Interessante é que nenhum deles iria andar até Cacabelos porém, todos chegaram lá, nos reencontramos, foi bom.

O caminho é parecido com o voo livre. Sempre que encontramos os amigos na rampa, fazemos uma grande festa, conversamos por um tempo e depois cada um sai para voar. Muitas vezes o reencontro demora a acontecer. Desejamos um bom voo e talvez nos encontremos depois de alguns meses, ou no fim do dia, quem sabe? No caminho é parecido, ao invés de dizer bom voo, dizemos “bue camino”. E quando menos se espera, surge a alegria e emoção de um novo encontro.

Fiquei em um albergue diferente, literalmente em volta da Igreja, são vários quartos com duas camas por quarto, sem beliche, um luxo.

24-05 (26) Cacabelos até Trabadelo – 24 km

Cacabelos é uma vila ao lado de um rio de águas limpas e de pedras, uma praia de grama verdinha e uma comporta, que quando fechada faz uma grande piscina. No verão deve ser uma festa. Mesmo agora, tinha gente de top-less tomando banho de sol, apreciada pelo trio, Brasil, Itália e Bélgica. 

Jantei uma paella marinada com o holandês, me despedi temporariamente, talvez não o reencontre, pois ira andar pequenas distâncias nos próximos dias, será?

Acordei as 7:50 hs, tarde! Quase fui expulso do albergue, tinha que sair as 8:00 hs, consegui estar pronto e com café tomado as 8:50 hs, dois recordes juntos, rapidez em me arrumar e em acordar tarde.

Desta vez caminhei com uma peregrina meio austríaca, meio egípcia, a Lisa. Ainda bem, pois o caminho que tomamos seria cansativo para andar sozinho.

Chegamos a Trabadelo bastante tarde, as 16:00 hs, mais um recorde para mim neste dia, em local e horário diferente do planejado. Segui um caminho alternativo, que não é ao lado da estrada e do barulho dos carros. É um caminho mais difícil, sobe uns 500 metros de desnível, segue no alto das montanhas e depois desce os mesmos 500 metros, encontrando o caminho original. É bem mais duro, porém, bem mais bonito.

Um pouco antes de chegar à vila havia uma pequena placa onde estava escrito que havia comida vegetariana, da para acreditar? Não achei o restaurante, acho que foi brincadeira de duende, mesmo assim, consegui comer tofu frito com grão de bico.  Achei uma casa parecendo abandonada com várias estátuas de gesso, de fadas, duendes, bruxos e bruxas, foram eles que colocaram a placa, eu acho!

Um casal de peregrinos estava fazendo uma bela música celta, ele com flauta e ela com violino, na sacada do albergue, que coisa linda. Quando voltei do jantar, eles continuavam a tocar, agora com os pés dentro de uma tina com água e no por do Sol. Uma cena engraçada.

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