O caminho - dias 07 à 10/05

07-05 – Logrono até Najera – 31 km.

Tendo folgado o dia anterior, parece que fiquei mais enrolado para iniciar o dia, demorei mais que o normal.

Nos primeiros 15 km, 3 horas, andei sem ver outros peregrinos, parece que sumiram. O dia estava bem cinzento e a chuva rodeando, já havia deixado o poncho a mão caso a chuva chegasse de repente.

Após descansar um pouco, a chuva chegou com força, com raios e trovoadas. Tentei vestir o poncho mais não consegui, ficou todo desengonçado. De baixo de um viaduto, tentei ajustar, depois de uns 10 minutos me debatendo, parecendo uma barata tonta e após ficar imobilizado pelo poncho, igual a um louco com uma camisa de forca, outro peregrino que deveria estar rindo um bocado, se ofereceu para me ajudar, claro que aceitei. Não é que em 1 minuto ele fez o poncho ficar bem. Até desisti da idéia de comprar outro e jogar fora o meu.

As 3 horas restantes foram de baixo de chuva e com o chão bem escorregadio. Estava escutando musica e foi tranquilo.

Estou fazendo uma rotina diferente da maioria dos peregrinos. Quando chego da caminhada, escolho a cama, tomo banho e vou correndo para almoçar, antes que os restaurantes fechem.

Conheci uma pessoa de Liechtenstein, ex-banqueiro, de 46 anos, que cansou de trabalhar e decidiu ficar de férias permanentes. Fomos jantar juntos, já havíamos nos encontrado nos bares de Logrono. No jantar um bacalhau a la Rioja, vinho e papo, todos estavam bons.

Acabei ficando em um hotel, quando cheguei estava chovendo e havia um fila para entrar no albergue. Fiquei com preguiça de esperar e continuar na chuva. Optei pelo mais cômodo, o hotel.

Com a folga, mudaram os rostos, as turmas, senti falta de pessoas conhecidas, nem que seja para dizer - Oi.

 

08-05 Najera até Redecila del Camino – 33 km.

Dormi mal, uma tosse está me incomodando, o interessante que só aparece de noite. Neste dia fiquei sem almoço, a caminhada iniciou tarde, as 8:40 hs e foi até as 15:40 hs, apenas com um sanduíche. Não havia achado onde comprar frutas. O dia estava ensolarado, bom para compensar a chuva do dia anterior.

Acabei esquecendo uma bolsa com meus fios, pilhas, carregador, pen drive e perdi minha garrafa térmica em Logrono, interessante como isso me incomodou, havia reduzindo o peso da minha mochila e enviado via correio para Santiago qualquer excesso. Fiquei apenas com o realmente essencial. Agora, sem aqueles fios, sentirei falta, vou ter de comprar novos e vai dar trabalho achar. Parece-me que quando temos pouca coisa, o que temos passa a ter mais importância.

Dizem que se pode viver apenas com pão e vinho, por aqui deve ser verdade. Estou caminhado há muitos dias e só vejo plantação de uva e trigo.

O intervalo da caminhada foi em um local legal, uma bela vista e cadeiras para deitar. 

Planejei caminhar um pouco mais que o padrão do dia, que eram 21 km, assim continuei andando até chegar a próxima vila, troquei o certo pelo incerto. O albergue desta vila era na torre da igreja, não havia camas, apenas colchonetes, um ao lado do outro, eu continuei. Na próxima vila o albergue estava lotado, eu exausto, depois de 33 km sem planejamento.  Pedi arrego. Um peregrino me ajudou a achar onde dormir. Telefonei e alguém da pousada foi me pegar de carro. Bela surpresa, uma pousada simpática, comida caseira. Tivemos uma janta gostosa com pessoas da África do Sul, Alemanha, França.

Acredito que estou apreendendo a caminhar bem, manter o ritmo e a ver a paisagem. Agora está na hora de começar a ver e conhecer as cidades/vilas, as pessoas locais e os outros peregrinos.

 

09-05 Redecila del Camino até Vilafranca Montes de Oca – 24 km.

Tive uma boa noite de sono, acho que a tosse está cansando de mim. O carro que havia me pego no dia anterior me levou ao mesmo ponto. Voltamos uns 8 km, bem que eu pensei em trapacear e ficar por ali mesmo, mas não, voltei.

Durante o caminho, os peregrinos que haviam me ajudado a encontra onde dormir, me contaram que havia mais 2 quartos vazios no albergue que estão escondidos.

Comecei a encontrar rostos conhecidos, isso é bom, significa que, mesmo com o dia de folga em Logrono, estou recuperando a distância e me aproximando das pessoas que estou mais familiarizado.

Para compensar a noite anterior, esta noite fiquei em um albergue municipal, barato, por 6 euros. Acabei reencontrando a Blanca, uma senhora canadense, que começou no mesmo dia que eu, ela anda rápido e bastante. No dia anterior fez 36 km e ficou 3 km na minha frete, em um albergue maravilhoso, perdi.

 

10-05 Vilafranca a Burgos – 40 km – 8:20 as 17:20.

Na saída fui tomar café da manha em um bar, encontrei Blanca em um ponto de ônibus, brincando de se esconder de mim. No dia anterior, muitos peregrinos estavam falando que iriam pegar o ônibus até Burgos, pois nos livros e no inconsciente diz que o trajeto é feio, no meio da indústria.

Ainda não havia decidido qual seria minha próxima parada, em Burgos no meio do caminho. Estava influenciado pelo inconsciente de ser ruim a chegada em Burgos e talvez pegasse o ônibus também.

O dia iniciou com neblina, logo na saída, encontrei um espanhola colhendo caracóis no mato, ela me mostrou e disse que são bons para comer. Será?

O caminho começou a mostrar-se interessante, neblina, no meio do bosque e subindo uma serra, longe do barulho da estrada do dia anterior. Aos poucos o sol foi aparecendo e a beleza se mostrou, foi um belo trecho.

Quando estava com 27 km, sentia-me muito bem, sem dores. Decidir continuar até Burgos. Comecei a refletir quanto seriam os 13 km faltantes, bom, se fossem no inicio do dia, seria pouca distância, mas agora, bem mais longe!  Como a mesma coisa pode ter dimensões diferentes em um mesmo dia? Isso acontece com muitas coisas, depende da referência.

A chegada em Burgos realmente é pelo setor de galpões porém, sem problemas, tem seu charme, para quem tem olhos abertos a novas informações.

Eu ainda não fiz turma ou me entrosei com as muitas que se formaram, poucos peregrinos continuam andado sozinhos, aos poucos tenho me aproximado mais também.

Fiquei no albergue municipal por 4 euros.

Quando cheguei para jantar o restaurante estava vazio, escolhi uma mesa e sentei. Em seguida chegou um casal, me olhou, eu achei que eram peregrinos também, puxei papo e perguntei se não poderíamos sentar juntos, eles toparam. Eram holandeses aposentados e viajantes, e não eram peregrinos! Foi uma boa conversa. Estou me experimentando com novas versões.

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