O caminho - dias 29/04 a 02/05

29-04 Começa o caminho.

Chega de treino e preparação. Acordo as 6:30 hs e ponho o pé na estrada as 7:30 hs. Tem todo um ritual de preparação, passar vaselina, cremes, protetor solar, tomar comprimidos, arrumar a mochila,... Tudo isso é necessário para não sofrer depois.

Este primeiro dia é bem puxado, saio de +/- 200 metros de altura e vou até 1.500 em 22 km, depois desço para 900 m em 4 km.

Acreditava que no café da manha teria frutas para roubar e levar, me enganei. Havia um local para comprar, porém teria de voltar uns 200 metros, ao lado da igreja. Normalmente não gosto nada de voltar, refleti sobre o ponto e resolvi voltar.

No momento exato que saio da venda e começo a caminhar são 7:30 hs, o sino começar a tocar. Olho para cima para descobrir de onde sai o som e vejo uma estátua, posso imaginar que seja de Santiago. Ele parecia vivo e acenando para eu ter um bom caminho. Foi uma emoção gostosa.

Havia muitos peregrinos, era uma enxurrada. Pensei que iria ser um tumulto. Parei por alguns instantes para tirar fotos e de repente desapareceram todos. Fiquei caminhando por um bom tempo sozinho, cheguei a pensar que estava no caminho errado. Não estava. Aos poucos foram aparecendo e desaparecendo, interessante perceber como em pouco tempo ou metros, estamos sozinhos ou cercados por pessoas.

Realmente o percurso é duro, fico feliz pelo treinamento, sem ele não conseguiria. Tinha simulado este ganho de altitude, aqui foi um pouco mais duro. Minha mochila está com 15 kg e trenei com 12, tenho de achar uma forma de reduzir. Tem um preparo que não simulei no Brasil, foi a descida, neste ponto, comecei a sofrer. Estava muito difícil, a descida é íngreme, além do cansaço das 6 horas de subida, fiquei com receio de me machucar logo no primeiro dia.

Por sorte um Coreano, que não fala na de inglês, me mostrou que estava errada a forma que dava os passos, foi um anjo neste momento. Ele tentou me mostrar que para descer devemos dar passos bem curtos e aumentar a velocidade da passada. Também deve-se pousar suavemente o calcanhar e depois a planta do pé no chão. Isso me ajudou chega em Roncevaux-Espanha, depois de 7:10 hs de caminhada, sem me machucar.

Tive a primeira experiência em albergue, neste caso, tudo bem. Era grande, organizado, com internet, lavandaria,... Por apenas 10 euros. Dormi bem, claro com protetor auricular. O dia seguinte começou o mexe-mexe, as 5:30 hs,  me levantei as 6:10 hs.

 

30-04 Um dia mais tranquilo, com apenas 22 km.

Achei melhor não forçar me recuperar do dia passado. As paisagens, como do dia anterior, são lindas.

Havia feito este percurso de carro, demorei apenas 1:30 hs de Pamplona a St. Jean-Pied-de-Port, agora vou demorar 3 dias. Quanta vida existe nesta 1:30 hs que não havia visto ?! Pessoas, igrejas, paisagens, rios, cidades, um mudo inteiro e muito mais que não vi. Vida!

 

01-05 Terceiro dia de Zubini a Pamplona.

Dormir em um quarto com pessoas estranhas é diferente, não está me incomodando. Claro que não posso esquecer os tapa-ouvidos. No albergue havia 24 pessoas em 3 quartos, eu fui o penúltimo a sair. Acordei as 6:30 hs e consegui sair as 8:00 hs, me enrolei bastante. O percurso é tranquilo são 23 km, o dia estava nublado e não tinha paisagens diferentes, todas bonitas.

A certa altura notei um peregrino usando os bastões de forma pouco eficiente. Fique em duvida se deveria abordá-lo. Refleti e o fiz. De formar despretensiosa expliquei como eu fazia. Não tinha expectativa se ele iria aceitar, usar, ou experimentar. Parei para tirar fotos e ele continuou, nos distanciamos. Depois de uma meia hora, avistei-o novamente. Fique feliz de vê-lo usando as dicas. Andamos por um tempo juntos e nos separamos novamente.

A sensação de ter podido compartilhar informação foi bacana. No primeiro dia o Coreano me ajudou, agora pude retribuir o ato. De quebra, tive a idéia de usar a técnica da descida para andar no plano. Eu estava tendo um bom ritmo da descida e na subida, no plano não estava bom.

Lembrei-me de um amigo que me diz que eu danço com um soldadinho de chumbo, estava andando assim também, eu marchava, não caminhava. Passos pesados, tanto que estou perdendo a sensibilidade da planta dos pés.  Comecei a pisar leve, procurando sequer fazer barulho. Colocar o calcanhar e devagar pousar a planta do pé. Como por um milagre senti que estava levitando, não sentia mais o peso da mochila e os passos. Em seguida, firmei o abdômen reduzindo o movimento do quadril.

Cada melhoria e ganho de eficiência dá um resultado enorme. São em media 25 mil passos por dia e ao todo devem ser 2 milhões. Cada aperfeiçoamento, por menor que seja, é multiplicado por 2 milhões. Passar e ser grande o resultado.

Chegando a Pamplona fiquei em um albergue alemão. O interessante é ver varias pessoas que saíram antes, chegarem depois de mim. Sinto que voei e passei por todos sem ver.

Achar onde comer em Pamplona foi uma historia a parte, fiquei andado de uma lado para outro das 18:00 hs as 19:30 hs. Na região central tem muitos bares, não estavam servido refeição, apenas aperitivos. Vi que havia outros peregrinos com a mesma dificuldade. As 19:30 hs, exausto de procurar,  parei e fiquei aguardando em frete uma cantina italiana, até que abrisse as 8:10 hs. Senti-me como um cachorro olhando a máquina de assar frango.  A comida estava ótima, mesmo se não estivesse morto de fome. Depois de comer, tive que correr para o albergue, eles fecham a porta mesmo se eu estiver fora.

 

02-05 Pamplona a Puente la Reina, são +/- 25 km.

Os últimos 10 km foram cansativos, eu acreditei que estava chegando por várias vezes. Esta sensação de ter chego e não ser realidade, causa uma aumento na sensação de exaustão.

Continuei aperfeiçoando o caminhar e usei um mantra para ajuda – Suave, não marchar.

A axila melhorou e agora estou um pouco gripado, dormi mal e estou usando própolis para melhorar.

Encontrei o peregrino que havia compartilhado o conhecimento do uso dos bastões, ele estava usando bem agora. Tarefa feita.

Estou tentado melhorar a sequência da rotina diária. Quando chego tenho que me alongar, achar onde dormir, escolher a cama, onde comer, tomar banho, lavar roupa, cuidar dos pés, descansar, visitar os arredores. Quanta coisa! Isso das 14:00 hs as 22:00. Nos primeiros dias, simplesmente me esqueci de alongar.   Achar a sequência para a rotina diária, faz toda a diferença para o dia seguinte.

Novamente fui um dos últimos a sair e uns dos primeiros a chegar. Não sei se isso é bom.

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