Os meus Primeiros Passos

 Como uma criança que aprende a fazer alguma “arte”, passo por uma sensação parecida. Muitas das experiências atuais são novas, esforço-me para perceber o que acontece e como usar o conhecimento em outras situações.

 Comecei com a limpeza das gavetas, cópias dos arquivos “importantes” do computador e liberar a mesa de trabalho. Depois de 21 anos, sobraram apenas três caixas pequenas que, sinceramente, poderiam ser reduzidas a uma, mesmo assim tenho quase certeza de que, daqui a um ano, o conteúdo desta única caixa será de pouco uso. A mesma coisa deve acontecer com os arquivos do computador.

 A sensação que tive é que já vinha me preparando para isso há muito tempo. Não senti vazio ou nostalgia. Senti como tarefa feita, pelo menos, o melhor possível.

 Depois de sessenta dias afastado da empresa, participei da nossa segunda convenção (reunimos cerca setenta colaboradores), onde apresentei o meu projeto.  Fiquei bastante emocionado no encerramento e feliz por ter, mais uma vez, segurança de que tudo está ocorrendo de acordo.

 Foram feitas apresentações do projeto para vários grupos de amigos, clientes, colaboradores, familiares, parceiros e outros. Procurei reunir poucas pessoas para realmente sentir a energia de cada um, dando atenção individual.

 Cada vez que apresentava, me fortalecia com a troca de olhares e manifestações de incentivo. Foi interessante perceber as diferentes reações: entusiasmo, apreensão, “me leve junto”, “você está maluco?”, dúvida, apatia, incredulidade, alegria,...

 Fui aperfeiçoando cada apresentação, incluindo pontos que geravam dúvidas, melhorando o conteúdo e a forma de expor. Acredito ter sido parcialmente compreendido, aceito e, pela maioria, acolhido.

 Já percorri 50% do tempo da fase de preparação. Tenho me sentido com uma criança ou adolescente, cheio de horários, tarefas de casa e novidades. Uma das boas sensações é a expectativa pelo dia seguinte, pela próxima aula. As atividades têm ocupado bastante tempo, não há folga, é um corre-corre, mas sem exagero.

 No treinamento físico, já andei cerca 500 km a pé e 300 km de bike, percorro trilhas, ruas e estradas, tudo em volta de onde moro.  Inicio às 8h e termino às 13h. Estamos incrementando a dificuldade e a distância aos poucos. No décimo segundo dia, surgiram os sinais de bolhas e calos, achei que seria bom lixá-los, grande erro. Em consequência, fiquei quatro dias sem fazer caminhada e tive que substituir por bike.

 Por enquanto estou tendo uma folga por semana e carregando 7 kg na mochila. Uma boa descoberta foi o uso dos bastões, eles aliviam cerca de 30% do peso das costas, dão ritmo e aumentam a segurança, de quebra, afastam os cachorros.

 Não estou sentido dores musculares, já perdi cerca 5 kg de “barriga”. Fui ao médico e ao nutricionista para garantir a correta alimentação e as vitaminas necessárias para não prejudicar o corpo ou ficar sem energia.

 Tenho tirado fotos de todos os dias de treinamento e feito uma planilha para acompanhar as distancias, percurso, batimento cardíaco,...

 Outra atividade que faço é aula de português. Essa área sempre foi um monstro, nunca aprendi, entendi e muito menos compreendi o português. Estou desmistificando algo que sempre achei difícil. Agora consigo entender que não é impossível aprender; é muito mais fácil para um adulto de quarenta e quatro anos que para uma criança de sete.

 Procuro não decorar, tenho que compreender o porquê das coisas. Um fator que me ajuda é a curiosidade, com ela as explicações são vivas e fazem sentido. Nada de decorar.

 Aprender espanhol é bacana, nada de “portunhol”, o professor tem sido muito criativo para facilitar a memorização dos sons e significados. Dificultando o processo, está minha resistência em perceber o que está de fora mim. Tenho que aprender a escutar, ouvir e reproduzir.  Por outro lado, “soy un caradura” em espanhol, sou um cara de pau, ou seja, não tenho vergonha de falar, certo ou errado. Vou atrás de palavras alternativas até que alguma seja entendida.

 Um ponto que subestimei foi a complexidade da obtenção do visto de residente na Espanha. Este assunto tem exigido uma boa atenção e esforço. Deveria ter começado o processo há pelo menos seis meses. Tive que pedir ajuda a pessoas com acesso à embaixada. A burocracia é grande. Na primeira vez que tive contato com a embaixada, a reposta foi que demoraria mais de um ano para sair o visto, agora está em três meses. Por exemplo, tive que obter três tipos certidões de antecedentes criminais, para acertar o modelo aceito por eles.

 Esse processo é em São Paulo, que bom! Muito trânsito. Com chuva, ainda melhor! Um dia fiquei sete horas para ir e voltar de São José dos Campos. Sem trânsito, não é mais de três.  Deu para confirmar que não desejo este tipo de vida no futuro.

 Tenho me divertido muito nas aulas de arte. Por enquanto estou tendo noção de desenho, proporção, sombra, luz e tons. Estou usando giz pastel, aquarela, guaxe e tinta acrílica. Quando comecei a pintar, pensei que o resultado ia ser parecido com o quadro de uma criança de cinco anos. Para meu espanto, o resultado foi muito melhor, parece que já tenho 12! Agora estou fazendo uma mandala, vai ficar boniiitaaa.

 Para fazer desenhos geométricos sem curvas, não é complicado, agora, as curvas? Oh! coisa difícil. Quem sabe não tem um Leo da Vinte nascendo!

 Vou refletir se tenho coragem de tirar fotos das “artes” e colocar no blog.

 Tenho percebido como é fácil esquecer os números absolutos, porém ainda conservo a sensibilidade da proporção. Acredito que é bom acontecer isso. Em um copo cheio d`água, não há espaço para mais nada, parece que estou esvaziando ou concentrando a água do meu copo.

 Surgiram vários fatos que parecem ser aleatórios, porém têm me ajudado a fazer escolhas e decidir o caminho; estou atento às coincidências e ao sincronismo. Tenho certeza de que nada ocorre por acaso, tudo nos leva ao melhor percurso.

 Recebi ajuda de muitas pessoas que sequer sabem que estão me ajudando, são muitos anjos que surgem. Que alegria é poder sair do automatismo e ver quanto de bom existe na vida.

Comentários  

 
0 # mudançaCristiane Harald Franke 20-09-2011 10:33
A gente deveria se mudar constantemente, assim a gente acaba se forçando a levar junto somente o que importa. Volte e meia acabamos voltando pra buscar o que deixamos pra traz e que faz muita falta.
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+1 # RE: mudançaClovis Fernando Greca 22-09-2011 13:32
Será que faz falta o que ficou? No meu caso, acho que não. Sempre podemos encontrar um novo. Sempre gostei de limpar as gavetas e me desfazer da coisas sem uso. Penso que tudo deve estar em movimento. Até agua parada estraga!
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0 # mudança de rumosCristiane Harald Franke 11-10-2011 10:52
Você tem razão a gente te que procurar ficar sempre em movimento.

No meu comentário acima se refere mais a uma mudança de rumo, chegar de mala e cuia en um lugar desconhecido e fazer de tudo pra se sentir em casa. A gente se adapta rápido com um local ou uma situação nova, mas a lembrança traz devolta lugares, pessoas e momentos que ficaram no passado.
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0 # RE: mudança de rumosClovis Fernando Greca 12-10-2011 21:41
Estamos de acordo. Só precisamos fazer com que as lembranças tragam felicidade
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