Primeiras impressões do Brasil!!

Parece uma coisa boba, porém foi o que inicialmente mais me chamou a atenção, eu andava pelo aeroporto e conseguia entender todas as palavras, meus ouvidos pareciam estar sendo acariciados por um som macio. Não necessitava estar atento para compreender o que acontecia a minha volta, falo sobre o idioma, todos falavam português e eu compreendia o significado das palavras sem qualquer esforço!!

Inicialmente fui para minha antiga casa em São Jose dos Campos, tive a sensação de estar em um lugar novo, não pelas mudanças que poderiam ter ocorrido, que não houveram, mas talvez, por estar com uma sensação de amnésia, que aos poucos, foi passando e a memória voltando gradativamente.

Tive tempo para caminhar, resolvi dar uma volta na pista que tem no condomínio, o lugar que fez parte do treinamento para o caminho de Santiago e por muitos anos um ambiente de exercício e lazer. A cada passo fui recordando um pouco mais do passado longínquo e do passado recente, das caminhadas em Vico D`Arbia/Toscana e nas pedras de Cabo Huertas/Alicante. A maior diferença que senti, foram as árvores, o verde, os diversos pássaros e a centenas de cigarras, todas cantando juntas fazendo aquele sonido, quase que ensurdecedor.

A primeira noite no Brasil coincidiu com a festa de “Halloween”, dia das Bruxas, as crianças fantasiadas andando pelas ruas, pedindo doces ou fazendo travessuras. Essa comemoração tem muitos significados, entre eles, marcava o fim do ano velho e o começo do ano novo, um festival em que se comemora a passagem do ano para o povo celta. Para mim, foi apenas um marco que separa o antes e o depois, que dependendo do resultado do projeto sabático pode ser reconhecido e comemorado como uma data especial.

Tivemos vários encontros com amigos e familiares, saudades e alegria gostosa, essa etapa ainda deve durar um tempo, são muitas as pessoas queridas que desejo reencontrar. Um fator importante e que serve para uma boa reflexão, foi a impossibilidade de rever alguns amigos, pois eles foram chamados para um outro nível de consciência, me reconforta lembrar com muito amor, aquele abraço dado antes viajar.

A primavera tem uma grande força, é momento do renascer, do ressurgir, onde as flores, o sol, a luz, a vida, a recriação, tornam-se exuberantes e manifestam toda a força acumulada e latente que esteve contida no inverno, aguardando justamente esse instante para nascer e se transformar novamente em Vida. Desejo usar todo essa energia para impulsionar o caminho de autoconhecimento e aperfeiçoamento iniciado, colocando em ação o conhecimento adquirido nesse período.

Como imaginado o desafio do retorno e da reintegração esta sendo grande, conter a ansiedade e a expectativa tanto minha, como das pessoas que me cercam não é fácil. Encontrar o equilíbrio e achar a velocidade adequada é um trabalho de 24 horas por dia. Manifestar meu novo eu e enxergar o novo eu do outro é chave, para isso tenho que estar acordado não deixando os automatismos assumirem o controle.  Trabalhar a humildade e reconhecimento, contendo o orgulho e as vaidades podem ser uma saída para controlar a força do hábito.

Faz dois meses que deixei a casa da Toscana e 30 dias que estou no Brasil, nesse tempo mudei o lugar de dormir por 30 vezes, chegou a hora de parar, provisoriamente vamos ficar em um apartamento em Curitiba.

Iniciamos a conexão com a nova casa, com o novo bairro, com a nova cidade, o método já é conhecido, começamos de dentro para fora, explorando e impregnando com nossa energia o que nos rodeia, iniciando com poucos centímetros, desfazendo as malas, arrumando o guarda roupa e ampliando o raio a medida que o conforto se estabelece.

Chegamos a Curitiba no feriado da Proclamação da República, mais simbolismo a vista e por coincidência, toda minha família foi viajar, cada um para um lugar diferente. Sinto como um abrir de espaço para o retorno e deixar-me a vontade para me espalhar e reencontrar minha identidade com a terra natal.

Para mim, morar em Curitiba será um reencontro e para minha esposa um encontro, um conhecer e um reconhecer, foram 23 anos morando fora, 50% da minha vida. Pretendo explorar as novas possibilidades da mesma forma que fiz quando me instalei em Alicante ou Siena, tenho certeza que existe um mundo novo ao redor, ávido a ser descoberto, ou redescoberto.

Já iniciei o retorno gradativo ao trabalho como previsto no projeto, começo participar de reuniões e me envolver no planejamento para o próximo ano. Acreditava que a reintegração seria mais lenta, isso tem causado alguns dilemas, pois ao mesmo tempo em que desejo envolver-me, desejo ir mais devagar.

Para equilibrar o processo resolvi fazer um curso de meditação Vipassana por uma semana, em outro texto colocarei um resumo. Essa é uma das estratégias que acredito ser útil para permanecer no caminho imaginado no projeto, a manutenção dos aprendizados deve ser feita constantemente. Um amigo brincou comigo e disse, “ficou de férias 730 dias e agora precisa desintoxicar?” eu respondi “Na realidade eu não estava me desintoxicando, pelo contrário, estava me intoxicando, com boas coisas”. Estou tentando me manter focado nos passos que ainda desejo dar nesse período de transição e de fechamento do projeto sabático.

Várias pessoas enviaram e-mails de boas vindas, respondi individualmente a cada mensagem, se por acaso faltou de alguém, me desculpe. Agradeço ao acolhimento de todos e à medida que surjam oportunidades, vamos nos encontrar e trocar histórias desses últimos dois anos.

O fim de ano é cheio de festas, até parece a Toscana e a Espanha no verão, aniversários, festas natalinas, comemorações.  Os parques, shoppings, bares, restaurantes estão cheios, a vida sempre é celebrada, seja onde for.

 

 

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