Esperança

Há algum tempo penso em escrever um texto para você, a maioria das vezes que escrevi no blog era para todas as pessoas que estão acompanhando meu projeto. Dessa vez quero fazer diferente, vou escrever pensando exclusivamente em você que está lendo e se interessa pelo que escrevo.

Nesse um ano e nove meses de projeto, uma das coisas que mais pratiquei, foi comunicar por escrito aquilo que sinto, vejo, penso, imagino, desejo e sonho. Nos últimos textos e com a proximidade do retorno a Brasil, alguns pontos abordados exigiram uma maior reflexão.

Hoje em dia, a ciência enfrenta alguns paradoxos (pontos sem explicação, em direção contraditória ao que se entende como verdadeiro), um desses fatos é que não se pode separar o observador do fato observado. Algumas religiões já pregam isso há muito tempo, mas a ciência tradicional ainda tem dificuldade em aceitá-lo.

Em vez de dar um exemplo, gostaria que assistisse a um filme. Observe como a criança e o pai vê o mundo a sua volta. É um antigo filme italiano, A Vida é Bela, de Roberto Benigni, ganhou até um Oscar. Mesmo que já tenha visto, vale apena rever.

 

Esse paradoxo cria pontos polêmicos e enigmáticos:

- A vida é da forma que é, pelo simples fato de acreditarmos no conceito de sua verdade.

- Algo que é uma verdade absoluta para uma pessoa, não necessariamente é verdadeiro para outra pessoa com outro tipo de vida.

- Algo que é “verdade” para um grupo de pessoas pode ir expandindo, tornando-se “verdade” para mais pessoas, até um ponto de caos ou desordem.

- As verdades são relativas, ou seja, são verdadeiras apenas para as pessoas que as aceitam como tal.

 

O que isso tem haver com os textos? Calma que chego lá. Por favor, continue lendo sem pressa e refletindo sobre os pontos.

 

Uma das muitas boas coisas que apreendi é que sempre existe espaço para melhorar. Isso se traduz para mim em uma incansável disposição a evolução, ao aperfeiçoamento, a busca pelo novo e a busca por superar a mim mesmo a cada momento.

Reconheço-me como um ser humano normal e tenho muitas das mesmas dificuldades que a maioria das pessoas possui, como: impaciência, irritação, vaidade, orgulho, ansiedade, cobiça, e muitas outras. Cada uma dessas dificuldades se apresenta com maior ou menor intensidade em cada momento. O resultado desses pontos é refletido nos relacionamentos e na vida, é claro.

Mas, como todos, também creio ter qualidades positivas que de uma forma geral levam a um equilíbrio e uma convivência saudável. Porém, acredito ter algo incomum, é o fato de ter coragem de expor e tornar pública as dificuldades, não camuflando ou desviando a atenção, sendo franco e externando os pensamentos independentemente se serão aceitos e compreendidos ou não.

Com isso, podem surgir dificuldades nos relacionamentos, pela minha forma de ser, de me expor, mas acredito que a dificuldade nos relacionamentos é semelhante à de muitos seres humanos.

Por ser sincero e revelar essa dificuldade, onde vários ocultam, essa verdade relativa ganha força, desvia a atenção e pode tornar-se um estigma.

 

Uma ação que tive bastante tempo e oportunidade de exercitar foi tornar-me um observador do mundo que está ao meu redor, das minhas ações e reações e do mundo que existe independente da minha presença.

Ser um observador é tomar distância do fato, como se estivéssemos vendo um filme, é ver o movimento sem sentir em “mim”. As vezes é bem difícil, pois somos o ator e o espectador simultaneamente.

No período sabático eu exercitei a observação e percebi as diferenças de atitudes para situações semelhantes, tanto minhas como dos demais.

Muitas vezes as reações são reflexos condicionados que sequer pensamos, apenas reagimos inconscientemente de forma automática, a reação é com base na pessoa e não na ideia portada pela mesma.

Quando reagimos assim, não deixamos espaço para a espontaneidade, ou seja, não criamos condições para surgir uma nova possibilidade e condicionamos (aprisionamos) o outro naquela condição. Isso inibe a evolução e cria frustações, as angustias de todos são parecidas, existem apenas reações diferentes, mas de conteúdos semelhantes.

Estamos acostumados a reagir sempre da mesma forma, usando as mesmas ferramentas. Tenho certeza de que, se não mudarmos as ações, os resultados serão os mesmos. Assim, se não estou plenamente satisfeito com o que vivo, devo fazer diferente, ser espontâneo e inovador nas ações.

 

Todos sentimo-nos reféns da afirmação que não mudamos e estamos iguais. Creio que todos evoluem com o tempo, pode até ser pouco, mas é impossível que não modifiquemos com a idade e a experiência. É difícil conseguir ver todos os aspectos de uma pessoa para aprisionar e dizer que não melhorou.

Essa declaração provoca uma resistência à pessoa, todos esperam que estejamos melhores, mesmo não sabendo no que.

Eu não quero, e creio que você também, ser outra pessoa, em vez disso tenho certeza que todos desejam se aperfeiçoar a cada dia, dando um passo por vez em direção à realização.

Afirmo que não quero ser outro, porque acredito que tudo que aprendi na vida até hoje foi importante e bom, isso serve para mim e para você. A tarefa é melhorar esse conhecimento e se possível compartilhá-lo.

Sei que é difícil, pois ainda não consegui fazer, acolher o outro como ele é, com suas virtudes e defeitos, mas também desejo me sentir acolhido e sentir que minha presença gera união e não separação.

Não podemos lutar contra ninguém para modificar o que pensam a nosso respeito, creio termos consciência de nossas virtudes e dificuldades, cada pessoa reage da melhor forma possível, porém como somos diferentes, as reações serão diferentes também.

A percepção de quem eu sou para a outra pessoa, só pode ser ajustada se as pessoas assim o desejarem. Às vezes manter a distancia pode ser um remédio.  Remédio amargo, pois uma das coisas que mais gostamos é poder conviver no meio de pessoas que amamos e que nos amam.

Sei que ainda tenho muito a aprender para ser polido, diplomata e acolhedor, mas a prática e a persistência levam ao êxito. Gostaria de criar uma fase de livre troca de ideias e da busca pela espontaneidade para encontrar novos caminhos usando a fraternidade como alicerce principal dessa nova etapa.

Com essas reflexões espero poder ter contribuído a fim de usarmos esse momento para nossa evolução em direção à harmonia e união.

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