Busca por rotina na Itália

                Iniciei esse processo sozinho, minha esposa foi ao Brasil por 10 dias, nesse período procurei novamente criar rotinas; de exercícios, de alimentação, de dormir e acordar mais cedo e pesquisar algumas atividades que pretendo fazer.

                Nas caminhadas diárias comecei a perceber muitas árvores frutíferas, mais do que estava acostumado a ver no Brasil. Acredito que à medida que aumento a atenção, mais opções verei. Por hora já encontrei cerejeiras (alguns tipos diferentes), maçãs, peras, ameixas, pêssegos, figos, amoras, framboesas e outras frutinhas pequenas que não descobri o nome. Muitos pés de uva, que devem estar boas para comer no fim de setembro. Temos ainda, plantações de olivas, girassol e muito trigo.

                Agora, uma das cosias que mais chamam a atenção, são as flores, são de vários tipos, cores, formas, elas vão nascendo e desaparecendo. De um dia para o outro surgem novas, onde não havia percebido nada até então.

                Existe uma infinidade de belos locais para conhecer e ver. Estou seguro da impossibilidade de em uma vida visitarmos uma pequena fração desse belo planeta que vivemos. Também, sinto ter pouco tempo para conhecer as pessoas por aqui. Percebo que o povo italiano é distinto do povo espanhol, ainda não estou seguro para avaliar as diferenças, espero que até minha volta, tenha condições de notar as particularidades.

                Ultimamente, tem aumentado à frequência dos pensamentos sobre como e onde vou viver quando voltar para o Brasil, ainda não tenho bem claro e planejado, acredito ser um bom momento para refletir com mais atenção sobre esse ponto.

                No Brasil a vida continua, às vezes acreditamos que por estarmos fora do ambiente, o mundo que vivíamos para no tempo, mas com certeza isso não é verdade.  É facilmente percebido, com o crescimento e amadurecimento dos jovens, particularmente dos sobrinhos. Vários dias de aniversários de amigos queridos têm passado, eu, sentindo não poder dar um abraço forte e desejar pessoalmente parabéns.

                O clima começou a mudar, a chuva dá lugar a dias de céu azul, o vento ainda está fresco. Em poucos dias chegará uma onda de calor, vamos ver. O sol está se pondo perto das 9 horas, é difícil se acostumar jantar com a luz do sol.

                Na pesquisa por atividades tenho sentindo dificuldades, da mesma forma como ocorreu em Alicante, entre os meses de junho e setembro é período de férias. Quase ninguém inicia nada, até agora fui a mais de 15 locais diferentes, o que consegui encontrar foram aulas em grupo de italiano, culinária e particulares de pintura e cerâmica.  As poucas opções de cursos de verão oferecidas pela universidade são de curta duração e extremamente especializados. Ainda não me dei por vencido, estou com alguns encontros marcados com coaches da região, talvez me digam algo a mais que poderei fazer, mesmo que tenha que viajar 1 vez por semana para outra cidade.

                Vejo que o processo de busca por atividades é igual ao processo de procurar casas e deve ser muito parecido com outros processos em nossas vidas. Começamos por observar com atenção o entorno, prospectar usando os meios disponíveis (pessoas, amigos, internet, placas), catalogar as alternativas, analisar as possibilidades, ordenar e classificar as opções e por fim, escolher. Fica mais fácil se já temos uma ideia do que pensamos e queremos. Para escolher não usamos apenas a razão, devemos entrar em sintonia com as possibilidades e deixar o resultado surgir. Esse processo muitas vezes ocorre sem uma plena consciência de alguns passos.

                Durante a noite e nos fins de semanas, estou aproveitando as ofertas culturais que a região dispõe, são muitas. Já fui a algumas, a primeira foi um recital de piano e música lírica dentro do museu em Siena, no começo fiquei apreensivo se iria gostar, mais no fim, entrei em sintonia e apreciei o espetáculo. Em uma pequena cidade a 10 km de casa, Castelnuevo de Berardenga, estive em um festival de teatro de comédia para crianças, na praça centenas de crianças soltando aquela risada gostosa. Para mim, tudo serve como aula de italiano, essa é uma boa forma de aprender, acredito ter compreendido uns 60% do que falavam. Deu até para dar algumas boas gargalhadas!!

                Entrar na cidade de moto foi um programa. Já havia ido várias vezes a pé, estava começando a entender como ir de um local para outro. O centro de Siena é como uma cidade medieval, pequenas ruas, becos e ruelas, as ruas dão voltas e não seguem padrões.  Com a moto, me senti como no labirinto do Fauno, dando voltas e voltas para chegar a um local. Andando a pé demoro no máximo 15 minutos, de moto demorei 1 hora. Nem todas as ruas se pode andar de moto e quase todas tem um sentido único. Diverti-me!!! Para ficar mais fácil, comecei a ver o trajeto com o Google Street (imagens reais das ruas) antes de sair de casa e ir para a cidade, consegui chegar ao mesmo local anterior em 5 minutos.

                Um show interessante foi “Senza confini-Ebrei e zingari”, era uma apresentação do XVI Festival Internazionale dele Ombre, www.festivalombre.it, foi nas ruinas de um castelo do século X ao XV, um espetáculo de música e história, contando um pouco, através de trechos narrados e outros cantados a vida e cultura desses dois povos, judeu e cigano. Os instrumentos musicais utilizados foram dois clarinetes, trompete, violino, violoncelo de 3 cordas,  acordeão e um instrumento de toque com martelete, uma versão anterior ao piano.

                Para fazer um teste, participei de uma aula de culinária. Só tinha estrangeiros, interessante que era uma grande família, 20 pessoas, pais, avós, 5 filhos , cunhados e cunhadas. Acompanhamos a chef fazer uma sopa de pão velho com tomate, cantuccini, molho de linguiça de porco com funghi Porccini e lombo de porco.  A única coisa que realmente colocamos a mão foi o pici, uma espécie de macarrão caseiro feito com massa fresca.

                Estive em uma apresentação de uma artista de arte moderna, foi um audiovisual mostrando suas obras. A medida que apareciam as imagens, a artista (Fran Siegel) explicava um pouco o porque, o como e a ideia da obra. Até que fez sentido!!

                No domingo aproveitei para ir à missa, queria conhecer o Monsenhor e apreender mais italiano. A igrejinha fica a 50 metros de casa, na hora que escutei o sino pela terceira vez, entrei na igreja. Éramos em 8 pessoas, contando o padre claro,  gostei do sermão, foi explicando o conceito profundo do significado do sangue e corpo de Cristo e da “Nova Aliança”, que muitas vezes li e escutei e não sabia o real sentido.  Acredito que irei outras vezes à missa, achei interessante!!

                Na tarde de domingo fui a uma aula de pintura. A professora me convidou para o almoço em sua casa, foi em baixo da sombra de uma bela árvore. Ela é uma artista que faz ilustrações para estórias infantis, faz também livretos contando historias de suas viagens com pequenas aquarelas das paisagens que chamaram atenção. Na Espanha não experimentei essa técnica, vou ver o que acontece.

               No fim da tarde fomos conhecer uma vila do século XVII, vilas são casas enormes com dezenas de quartos, algumas estão restauradas e decoradas com móveis da época, paredes pintadas com desenhos que retratam a vida naquele tempo e jardins lindos.

               Dessa forma começo realmente a vida na Itália, Toscana, Siena, noto que estou me adaptando ao local e apreciando os momentos de convivência. Tenho atualizado a pasta com fotos da Itália, lá procuro colocar as fotos dos fatos que vou descrevendo nos textos.

Comentários  

 
0 # ParabensLeonildo 27-06-2012 10:54
Clóvis, muitas felicidades, paz e saude.

Abraço,

Leo.
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0 # RE: Busca por rotina na ItáliaClovis Fernando Greca 05-07-2012 14:19
Valeu Leonildo!!!
Sigo nos anos e nos caminhos.
obrigado e abraços
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