Quem sou

   Esta reflexão me leva a vários pensamentos. Acredito que todos nós temos vários papeis na sociedade, varias óticas ou vários momentos. Somos empresário, marido, pai, amigo; somos extrovertidos, envolventes, carismáticos; somos carinhosos, sedutores,...
Conforme o ponto que abordamos e quem esta fazendo isso, seremos Um. O que vou escrever abaixo é a minha história por um prisma, é um Quem sou, com base na historia cronológica e biográfica.

   No futuro, pretendo usar esta mesma reflexão para explorar muitos outros, Quem sou.

   Nasci em Curitiba, em 27 de junho de 1966. Sou o filho mais velho e o primeiro neto; tenho duas irmãs e um irmão, com diferença de 2,5 anos para minha irmã, 5 anos para o meu irmão e 12 anos para a caçula.

   Meus pais casaram cedo, depois de seis anos de namoro, ele com 24 e ela com 19. Meu pai foi o primeiro namorado da mãe. O pai tem apenas um irmão e a mãe tem dois, um faleceu há um bom tempo, tive pouco contato com ele. Hoje tenho viva a avó materna.

   Da infância tenho pouca lembrança e noção temporal. Recordo-me de um bom relacionamento com o meu tio e tia por parte de pai, um avô paterno exigente, uma avó paterna doente e sem o papel de avó. Não conheci meu avô materno, quando nasci ele já havia falecido, já a minha avó materna foi presente, ficamos muitas vezes em sua casa quando éramos criança. O tio materno é doente e pouco foi tio também.

   Estudei no Colégio Santa Maria (Marista) por 5 anos, dos 7 aos 11,  depois  no Colégio Militar de Curitiba por 6 anos. A essa altura meus pais estavam se separando, foi um momento conturbado.

   Com 17 anos fiz intercâmbio e morei por seis meses nos EUA com uma família, numa cidadezinha de cinco mil habitantes, Garrett, Indiana. Quando voltei fiz o vestibular e entrei em duas faculdades simultaneamente: UFPR no curso de informática e na FAE em administração de empresas; a primeira, por minha vontade e a segunda, por convencimento de meu pai.

   No colégio, fui um aluno mediano, estudava apenas para passar de ano, já no intercâmbio, fui excelente aluno, achei muito fácil. Quando entrei nas faculdades, tive bastante facilidade e boas notas, me destacando entre os melhores alunos, sem muito esforço. Gostava de prestar atenção nas aulas e questionar os professores.

   Sempre tive dificuldade em língua portuguesa, bem como escrever em inglês, já para as áreas de raciocino lógico, tenho facilidade. Ah!! se não fossem os corretores ortográficos, os  F7’s, ou ainda, se alguém tivesse que entender a minha caligrafia !!!

   Da minha infância e adolescência, me lembro das férias na praia, em Pontal do Sul, litoral do Paraná. Passávamos todas as férias por lá, foi uma época bastante agradável, tínhamos vários amigos e nos divertimos bastante.

   Com 15 anos, ganhamos (os 4 filhos) um veleiro, eu queria uma moto, porém o veleiro era mais “seguro”. Curti muito o mar e as saídas de veleiro, seguras, nem sempre!!! Tenho o mesmo veleiro até hoje, é um Day Sayller 16 pés; ainda curto de vez em quando velejar.

   Na faculdade fiz bons amigos e mantenho alguns até hoje. Aproveitamos a época da juventude com viagens, festas, estudos, aulas, jogos, namoros, churrascadas e o que mais tivéssemos vontade de fazer.

   Viagens e férias foram algo que fiz muito, fazia estágio e trabalhava durante o ano letivo. Quando acabavam as aulas, pedia as contas e ia para a praia. Pude fazer isso por quatro anos, até me formar.

   Mais ou menos três anos após entrar na faculdade, com 21, fui morar sozinho, tinha o meu AP, só para mim. Pena que fiquei pouco tempo em Curitiba para aproveitar.

   Quando me formei, trabalhei na área de informática, por uns dois anos, após isso, a empresa fechou o setor e fiquei desempregado.

   Quando comecei a trabalhar com informática, idealizava criar uma empresa no setor, porém, achei a área difícil, ainda imatura, a atividade pouco profissional e as pessoas geniosas.

   Desempregado, procurei meu avô, pedindo que ele intercedesse junto ao meu pai, para que eu tivesse a oportunidade de trabalhar na transportadora deles. Meu avô era sócio-fundador da empresa, porém não trabalhava mais lá. Depois de algum tempo, comecei a trabalhar, foi um começo difícil, pois meu pai disse que não havia espaço para mim na empresa, eu tinha que conquistar o lugar.

   Comecei fazendo um levantamento de custo e uma planilha de cálculo em SUPERCALC. Depois de seis meses estudando, criando fórmulas e levantando dados, estava pronta. Quando fui apresentar o resultado para o chefe-Pai, antes que eu desse os valores, ele me deu os números. Não é que estavam corretos?! Está certo..., eu demorei seis meses e ele vinte anos! É a experiência!

   Nesta época surgiu a oportunidade da empresa abrir a primeira filial, fora de Curitiba. Eu não perdi a chance e fui, com 23 anos, sem experiência e pouco conhecimento.

   Começamos numa pequena sala alugada, os caminhões no posto e eu morando em um pequeno hotel, na cidade de Paulínia (perto de Campinas-SP). Viajando todos os fins de semana de Paulina para Curitiba, são 550km; no inicio de carro e depois de alguns PTs (acidentes com perda total), resolvi, antes que morresse, me benzer e viajar de ônibus e avião. Fiquei nesta balada por uns dois anos.

   A empresa, aos poucos, foi crescendo e construímos um escritório e garagem em Paulínia, onde morei por dois anos. Eu fazia de tudo um pouco; não me envolvia com a parte financeira, contabilidade e a burocracia dos recursos humanos. Fazia logística, compras, comercial, contratação, datilógrafo, sim, era assim que emitíamos os documentos na época, e muitas outras atividades. No começo éramos eu e os motoristas, depois uma secretária.
 
   Fomos crescendo, eu em Paulina e o pai em Curitiba, criamos a filial de São José dos Campos e outras. Ao longo dos anos, meus irmãos iniciaram a carreira na empresa, primeiro minha irmã, na área financeira e administrativa, depois meu irmão na engenharia e operacional e, por fim, a caçula no comercial e marketing.

   Em 1995, decidi que não dava mais para ficar indo e voltando para Curitiba todos os fins de semana, eu não vivia em nenhum dos dois lugares. Decidi virar paulista.

   Apenas eu fiquei fora de Curitiba, o restante da família continuou morando e trabalhando por lá. Em Curitiba a vida era mais tranquila, temos uma boa estrutura, tanto física como afetiva.

   Nessa época, ganhamos uma grande licitação em sociedade com outra empresa na cidade de São Paulo para fazer o transbordo e transporte de lixo até os aterros. Chegamos a transportar 90% do lixo, é muita coisa!!! O negócio não foi bom, porém ganhei experiência.

   Nesse meio tempo, mudei-me para São Paulo, onde construímos nossa segunda fábrica de asfaltos, em Guarulhos. Não éramos mais apenas transportadores, nos tornamos Distribuidores de Asfalto.

   Morei em São Paulo por uns cinco anos, depois me mudei para São José dos Campos no inicio de 2000, onde estou há 11 anos.

   Morando em São Paulo, resolvi aprender a voar, tinha que começar minha vida sozinho, sem a família. Em 1995 iniciei minha carreira de piloto de parapente. Foi muito bom, surgiram vários amigos e tive a oportunidade de conhecer muitos locais.

   Em 1996, encontrei minha futura esposa em uma reunião de trabalho. Ela se interessou pelo voo, não por mim!! Mesmo assim, ficamos juntos deste a primeira viagem para Andradas, sul de Minas. O voo é um capitulo especial da minha vida.

   Viajávamos todos os fins de semana para locais diferentes. A turma ia se ligando durante a semana, e nos fins de semana, vôoo, muito vôoo, gargalhadas e aventuras. Alugamos uma pequena casa em Andradas e passamos a ter um local fixo por cerca de 4 anos. Viramos mineiros, muitos amigos, viagens para muitos pontos de voo, campeonatos e chá de rampa, quando ficávamos horas esperando o tempo ficar bom para poder voar.

   No tempo que morei em São Paulo, dá para contar nos dedos de uma mão quantos fins de semana ficamos da cidade.

   Após uns dois anos de namoro, convidei a minha esposa para ir morar comigo, eu tinha 32 anos. Em 2000, resolvemos que iríamos fazer uma festa de casamento para a família, antes disso fizemos a nossa lua de mel, uma viagem para a Austrália, Ilhas Fiji e Nova Zelândia, com 45 dias de duração e direito a muito voo livre e mergulho na Barreira de Corais.

   A Festa de Casamento foi informal, o padre era falso!! um grande amigo, “Vovó Mafalda”. Foi em Andradas, na Pousada Pedra do Elefante, apenas para a família e poucos amigos. Quase cheguei à festa voando de parapente; o dia estava ótimo para voo e levei uns cinco convidados para fazer voo duplo comigo nesse dia.

   No voo, me tornei um bom piloto, responsável e com grande habilidade. Na época, ganhei campeonatos e bati recordes de distância: 150km de Andradas até Patos de Minas e de 70km de duplo em Governador Valadares; chegava a voar umas 10 horas em um fim de semana.

   Com a mudança para São Jose dos Campos, Andradas começou a ficar longe, 270km. Fui cansando da viagem de carro, junto a isso, comecei a presenciar acidentes com a perda de amigos, isso começou a incomodar e fomos reduzindo o ritmo do voo.

   Começamos a participar de estudos espiritualistas, com o tempo, passamos a dar aulas, estudávamos espiritismo, teosofia, budismo, logosofia, rosa cruz, filosofia... Um conceito universalista. Conhecemos a yoga e nos tornamos quase vegetarianos, de vez em quando abrimos exceção para peixes e frutos do mar.

   Em 2005 tivemos novas férias de quase 60 dias, viajamos para a Índia, com direito a safári de elefante, aula de yoga, palestra com Swuami Hindu, aulas de budismo em Dharamsala, a cidade do Dali Lama, turismo convencional e uma semana em um SPA de meditação, em Pune, no Ashram do Osho, depois uma parada na África do Sul, com visita a Cap Town e a Garden Road.

   Como tudo passa, o voo livre passou, ainda gosto muito e de vez em quando faço os meus voos. As aulas e o estudo espiritualista passaram, porém, nunca mais seremos os mesmos: o véu caiu, agora temos um pouco de consciência do nosso papel e responsabilidade por estarmos vivos.

   Foram lidos dezenas de livros, estudamos muitas horas, vários grupos, reuniões e discussões, tudo isso para sair da inércia e depois voltar a ela, isso faz parte, é o ciclo da ordem aos caos e do caos `a ordem, o samsara da vida.

   Hoje tenho 44 anos e minha esposa 47, não temos filhos. Esta é uma decisão difícil. De vez em quando, discutimos o assunto sem chegar à certeza da escolha feita. Ter filhos é algo natural, não necessita escolha, porém, não tê-los é uma decisão que será questionada e sentida para resto da vida.

   A empresa foi crescendo. Temos várias fábricas e escritórios; diretores, muitos funcionários, reuniões e compromissos. Era dirigida na região Sul e Centro-oeste pelo meu pai e nas regiões Sudeste e Nordeste por mim. Há cerca de quatro anos, iniciamos uma estruturação, com os objetivos de: preparar para a sucessão familiar, unir as administrações, abrir a empresa para diretores de fora da família e equacionar a minha saída para um período sabático.

   Este processo vem ocorrendo de uma forma saudável, com algumas dificuldades naturais e outras facilidades, porém em um passo firme e bem estruturado.

   Atualmente estamos entre as maiores empresas do setor no Brasil. Atuamos no segmento de transporte, distribuição de asfaltos, indústria de produtos betuminosos para pavimentação e ainda temos uma financeira para apoiar os clientes e dar segurança às vendas.

   A partir de janeiro de 2.011, me afastei da direção da empresa e dei início ao meu projeto sabático, que a principio terá 2 anos de duração.

É isso aí, por enquanto.

São José dos Campos, 2 de  março de 2.011.


Clovis Fernando Greca
Leite Quente

Comentários  

 
0 # HistóriaFRANK HONJO 11-09-2011 22:12
Ola Clóvis, estou agora entendendo a questão do 'sabatico' já imaginava, pois na biblia o 7 dia é o de descanso. Então é o tempo de reflexão pelo trabalho dos ultimos 6 dias.

Não sabia que você estudou no Santa Maria. Eu também estudei uns 11 anos lá. Praticamente no colégio velho. E fomos a primeira turma a formar no colégio novo. Quando estava no 1 ano do 2 grau, fizemos várias maratona cultural com o Colégio Militar....e ganhamos todas (rss). Legal as tuas viagens, deve ter sido muito interessante. Eu quase que fui fazer um estágio na India em 93-94, mas como o norte da india nessa época estava conturbado, acabei fazendo meu estágio em mkt em Berkeley - Ca (e em San Francisto). Bom, vou continua a ler a tua jornada. Abs
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0 # HistóriaClovis Fernando Greca 17-09-2011 20:41
Oi Frank

Sim, sabático é o por ai, tem bastante coisa na net sobre período sabático.
Eu não sabia nada sobre isso, apenas que desejava parar de trabalhar por um período, depois comecei a pesquisar e descobri o significado.

Eu devia estar um ano na sua frente no Santa Maria, para entrar no CMC fiz duas vezes a quinta serie, passando as duas vezes.

Tenho vaga lembrança destas maratonas, mas como eu não era muito estudioso, nunca participei.

Não canse de ler. Agora eu criei um opção no blog para baixar tudo de uma vez em pdf.

Abraços
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0 # então era em São José dos Campos que você se escondiaCristiane Harald Franke 20-09-2011 10:27
:lol:

Lendo a sua estória a gente vê que faz muito tempo que a gente não se vê e nem se fala.
:-?
A última vez que nos vimos foi quando eu e o Harald fomos no seu ap em Curitiba, quando você havia acabado de montar. Lembra?

Você visitou a gente quando morávamos em um apartamento em Niewegein.

Depois ainda tivemos uma visita da Ana Maria, quando estava meio assim com o Günther. E agora eles moram do Rio, ou já se mudaram denovo?
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+1 # RE: então era em São José dos Campos que você se escondiaClovis Fernando Greca 22-09-2011 13:36
Cris,
A Ana ainda está no Rio, as vezes eu encontrava o Gunther na FIESP.
Me lembro do nossos encontros, isso fazem mais de 15 anos!!! Tá na hora de nos vermos novamente.
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+1 # Kart em São JoséTexe 22-09-2011 14:14
Oi Cris,
Vamos marcar um novo Kart em São José e chamamos o Clóvis de novo. Mas vocês tem que ter tempo para pelo menos um jantar, um encontro não só nas pistas...
Beijos e abraços respectivos.
Teixeira
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0 # Baianos do CaminhoRoberto 24-03-2012 18:02
Olá Clovis. Somos Roberto e Moema,os baianos que voce conheceu em Trabadelo, no Caminho de Santiago. Lembro-me que naquele dia tentei convencer voce que eu tinha pago por todas as camas do quarto. Assim teria o raro prazer de ficar sozinho com minha mulher, em um albergue do Caminho. Mas voce tambem estava procurando um lugar tranquilo para dormir. Até hoje achamos graça daquele encontro. De qualquer modo foi um prazer conhece-lo e ficamos felizes por rever o caminho em seu blog. Parabéns e um forte abraço. Roberto e Moema.
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0 # RE: Baianos do CaminhoClovis Fernando Greca 24-03-2012 18:42
Viva Roberto e Moema!!!
Me lembro bem, foi uma boa noite de sono. Quase nao escutei roncos, para variar. Fico feliz de reencontrar um peregrino. Que os caminhos continuem sendo ....( tudo que imaginarmos). Um grande abraço. Buen Camino!!!!
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